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Jornal

Medo derruba movimento na feira

Promessa da Prefeitura é de que ontem seria o último dia da feira irregular na rua José Avelino e entorno. Mas o movimento foi fraco. Conforme feirantes e consumidores o medo de confronto foi uma das causas

15/05/2017 01:30:00
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A madrugada do dia das Mães foi de pouco movimento na feira da rua José Avelino e entorno. O medo de que houvesse confronto entre ambulantes e o Poder Público era uma das razões apontadas por quem estava no local para o baixo fluxo de clientes, apesar de uma liminar.


A Prefeitura prometeu para hoje o início de intervenções na região, com o dia de ontem marcado como o último de atividade do comércio irregular na região. Uma liminar expedida no último sábado, impedindo a remoção dos feirantes, não foi suficiente atrair compradores.

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A feirante Maria Zilma de Melo, 68 anos, disse que já esperava um movimento menor do que o registrado na feira realizada na madrugada de quarta para quinta-feira, porque os ônibus que trazem compradores de outros estados tradicionalmente não vêm na véspera de datas comemorativas, mas não imaginava que seria tanto. “Está muito fraco, acho que muita gente ficou com medo de ter confusão porque disseram que ia ser o último dia”.

[SAIBAMAIS]

Os galpões funcionaram até as 20h de sábado. Às 4h da manhã, o número de ambulantes que expõem mercadorias no meio da rua no entorno da Catedral era menor do que o registrado em outros finais de semana. Na José Avelino, apesar de muitas barracas estarem montadas, quase ninguém apareceu para comprar.


“Eu estranhei porque costuma dar mais gente aqui, nunca tinha visto tão vazio”, afirmou Patrícia Freire, que acompanha a prima Eliane Pinheiro nas compras. “Eu mesmo estava até com medo de vir porque achei que ia ter briga, mas decidir vir assim mesmo porque pensava que ia ser o último dia”.


A liminar foi concedida pelo desembargador Durval Aires Filho por volta das 18h de sábado. Dentre as razões, alegou que as alternativas apontadas pela Prefeitura não contemplam “a coletividade dos substituídos” e que a retirada dos ambulantes poderia ocasionar conflitos entre os comerciantes, familiares, clientes e as forças de segurança.


Para a feirante Cilene de Maria, 47 anos, que trabalha há mais de vinte no local, a decisão foi um alívio. “Foi uma felicidade, porque o clima aqui estava horrível com tudo isso. Ninguém sabia o que ia acontecer”.


A Prefeitura informou que aguardará a notificação oficial para se pronunciar sobre a liminar. As obras de reestruturação da via pública e que incluía o bloqueio desta e de outras ruas do entorno estão previstas para começar hoje. Além da restauração do calçamento, que está deteriorado, o projeto prevê mobiliários urbanos, paisagismo, nova iluminação em LED e faixas elevadas para pedestres.

A intervenção estava prevista para durar 60 dias. O investimento previsto é de R$ 2 milhões.


Desde quarta-feira, 10, o policiamento no local está reforçado. Equipes da Guarda Municipal bloqueavam o tráfego de veículos nas ruas Barão de Sobral, Costa Barros com a São José e na Rufino de Alencar no perímetro que fica ao redor do Paço Municipal, no horário das 20 às 8 horas. A medida, de acordo com um dos integrantes da equipe, era resguardar o patrimônio público, mas que até aquele momento nenhuma ocorrência tinha sido registrada.


Saiba mais


Além da feira de rua, galpões irregulares que integram a feira devem ser impedidos de funcionar. O Ministério Público expediu, no último dia 26, recomendação para que a Prefeitura adote as medidas necessárias para coibir o funcionamento de todos os galpões irregulares.


Tombada como patrimônio histórico de Fortaleza desde dezembro de 2012, a rua José Avelino passará por restauração do calçamento, que permanecerá em pedra tosca da época, mantendo a demarcação do trilho do antigo bondinho. Hoje, a área está visivelmente degradada.


Apesar de funcionar em via pública sem nenhuma infraestrutura e de maneira irregular, O POVO apurou com feirantes que o custo inicial para ter uma barraca na José Avelino é cerca de R$ 35 mil. São até R$ 20 mil na “compra” pelo espaço na rua, que é irregular.

O boxe custa até R$ 15 mil reais e pela estrutura de ferro ou madeira se paga cerca de R$ 390.


Dentro de galpões, o custo inicial entre R$ 15 mil e R$ 50 mil – valor no qual já está incluso o espaço, o boxe em si e a sua estrutura.


Entre as alternativas para os feirantes da José Avelino estão o Centro Fashion, empreendimento privado com taxa de adesão por a partir de R$ 3 mil, ou se cadastrar junto a Prefeitura para obter vaga em outras feiras.


Há cerca de 5 mil feirantes na José Avelino e entorno.

Irna Cavalcante

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