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Em dia de recuperação do mercado, dólar cai e Bovespa sobe

Depois da maior alta em 18 anos na véspera, o dólar comercial teve a maior baixa desde 2008 na sessão de ontem, com recuo de 3,9%, fechando a R$ 3,26. Índice Bovespa subiu 1,69%

20/05/2017 01:30:00
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A crise política instalada pelo episódio dos áudios de Michel Temer e Joesley Batista continuou a pesar sobre os negócios do mercado financeiro ontem. As incertezas sobre os desdobramentos do caso limitaram um movimento técnico de recuperação das perdas da véspera, que haviam somado 8,80%. O Índice Bovespa chegou a subir 3,07% no melhor momento do dia, mas perdeu parte do fôlego à tarde e fechou aos 62.639,30 pontos, com alta de 1,69%. Já o dólar comercial encerrou o pregão cotado a R$ 3,26 na venda, com queda de 3,9%, a maior em um único dia desde 2008.


Segundo profissionais de renda variável, a recuperação da Bolsa foi apoiada em grande parte na recuperação dos mercados de câmbio e juros, a partir da atuação do Banco Central e do Tesouro. O BC promoveu quatro leilões extraordinários anteontem e um ontem, de 40 mil contratos, equivalentes a US$ 2 bilhões. O Tesouro Nacional também fez leilão de compra e venda de títulos prefixados, pós-fixados e atrelados à inflação, como forma de dar liquidez aos investidores. As ações levaram à queda significativa de dólar e juros.


“O mercado ainda está muito instável, pois ninguém sabe ao certo o que vai acontecer. Uma das poucas convicções é a de que a reforma da Previdência, se vier, será para mais à frente. E esse é justamente o principal ponto para o mercado, que agora fica negativo”, disse Hersz Ferman, economista da Elite Corretora.


A grande maioria das ações que caíram na quinta-feira teve recuperação ontem. Petrobras ON, favorita dos investidores estrangeiros, subiu 0,95%. Petrobras PN, movimentada essencialmente por investidores locais, avançou 3,57%. A alta dos preços do petróleo contribuiu para essa recuperação, uma vez que os papéis haviam caído 11,37% e 15,76% ontem, respectivamente. Vale ON e PNA ganharam 1,45% e 0,63%.


Banco do Brasil ON, ação que reflete em boa parte o risco político, subiu 3,32%, depois do tombo de 19,91% na quinta-feira. JBS ON, que tem estado no olho do furacão, interrompeu a sequência de quedas e subiu 1,52%.


Ontem, o mercado movimentou R$ 13,5 bilhões, montante superior à média das últimas semanas, mas já bem inferior aos R$ 24,8 bilhões de quinta-feira.


Dólar

Após marcar na véspera o terceiro pior pregão da história, perdendo apenas para os episódios registrados durante a maxidesvalorização de 1999, o dólar teve um movimento de correção ontem. Operadores citam que o pânico da véspera, em função do escândalo envolvendo o presidente Michel Temer e os sócios da JBS, pode ter sido exagerado. Ainda assim, ninguém arrisca dar um palpite sobre o futuro do câmbio no curto prazo. Em dois leilões de swap realizados ontem, o BC negociou o equivalente a US$ 2,4 bilhões com o mercado financeiro. (das agências)


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Os juros futuros fecharam em queda a sessão regular do segmento BM&F, influenciados pelo alívio no câmbio, por sua vez ajudado pela atuação do Banco Central ofertando contratos de swap cambial.


Do mesmo modo, os leilões extraordinários de compra e venda de títulos públicos realizados ontem e programados para os próximos dias ajudaram a tranquilizar o mercado.


“O Banco Central continuará monitorando o impacto das informações recentemente divulgadas e atuará, sempre que necessário, para manter a plena funcionalidade dos mercados”, disse ontem o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.

 

Adriano Nogueira

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