PUBLICIDADE
VERSÃO IMPRESSA

Como acabar com os 'ralos' do orçamento financeiro

Muita gente termina o mês sem saber como gastou todo o dinheiro. Especialistas ouvidos pelo O POVO dão dicas de como identificar desperdícios e de como se planejar para uma vida financeira mais confortável

01:30 | 29/05/2017

Manter as contas em dia e ainda ter uma reserva no fim do mês não é tarefa fácil. Ainda mais quando o preço dos produtos não acompanha a evolução da renda. Mas com planejamento e disciplina é possível identificar os ‘ralos’ para onde o dinheiro está escoando.

 

O economista Vitor Leitão explica que o excesso de gastos varia muito de uma família para outra, mas o problema maior é quando este aumento ocorre dentro das despesas consideradas fixas. “Alguns gastos, como aluguel, energia e água não há como evitar, embora possam ser reduzidos, mas outros, como plano de celular, TV por assinatura, pacote de internet, hoje fazem parte do orçamento das famílias, e quando somados ajudam a deixar as contas comprometidas”.

Ter uma despesa maior que a receita ou quase sem margem para manobras é um erro grave cometido por grande parte dos brasileiros. “O brasileiro ainda é muito consumista. A “necessidade” de trocar de carro, de celular, de aproveitar uma promoção está muito presente sempre. Isso é fruto da falta de educação financeira”, diz Vitor.

De acordo com a pesquisa de maio da Federação do Comércio do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), 67,4% dos consumidores de Fortaleza possuem algum tipo de dívida. Destes, 22,3% está em atraso. E deixar rolar a dívida é uma das formas mais comuns de se ‘perder’ dinheiro, explica a professora de economia e finanças da Universidade Federal do Ceará de Sobral, Alessandra Araújo.

A falta de planejamento também contribui para que, na hora de fazer compras, as pessoas comprem além do necessário ou do que podem gastar. “No supermercado, por exemplo, quando não se faz uma lista ou não compara preços é uma coisinha aqui e outra ali e que no final acaba aumentando em 10% ou 15% as despesas. São coisas que poderiam ser economizadas para gastar mais na frente”.

Isso sem falar nos pequenos gastos com lanches, flanelinhas, moedas que ficam soltas pela casa, e que somadas acabam comprometendo o orçamento, sem que as pessoas lembrem no final do mês como gastaram. “São quantias que você não se dá conta. De R$ 1 em R$ 1 por dia é menos R$ 30 no final do mês”.

Mas para terminar o mês no azul é preciso abrir mão de tudo, inclusive, do que dá prazer? Não, afirma o vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-CE), Roque Albuquerque. Ele explica que é possível conciliar as duas coisas se houver controle e organização nos gastos. “É importante fazer um diagnóstico da sua situação financeira. Anotar tudo o que se ganha e o que se gasta e ver o que está sobrando. O que não pode é achar que um cheque especial é uma extensão do salário”.

IRNA CAVALCANTE

TAGS