PUBLICIDADE
Jornal

Unir forças nunca foi tão importante

Cooperativas no Ceará e no País têm protagonizado boas práticas para driblar a crise em produções que reduzem custos e aumentam o alcance

28/04/2017 01:30:00
NULL
NULL
[FOTO1]

O sistema de cooperativismo no Brasil já responde por 11% do produto interno bruto do País. Os dados são do Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) que mostram ainda que no Ceará este percentual chega a 8%. Para garantir a consolidação desta participação mesmo em um cenário econômico adverso é preciso investir em informação e focar na gestão, alerta o presidente da OCB-CE, João Nicédio Nogueira.


“O cooperativismo no Brasil, assim como todos os setores, tem passado por problemas em função da crise que está aí, mas nem por isso a gente está desestimulado. A história mostra que foi nos períodos de crise que o cooperativismo mais cresceu, porque é unindo força, informação e gestão que o pequeno se torna grande”, explicou João Nicédio, ontem, durante o Encontro de Cooperativas Cearenses (CooperaCeará), no Marina Park Hotel. Ele explica que a falta de conhecimento sobre o tema é um dos principais gargalos a serem superados.


No Brasil, o ramo de cooperativas de crédito é onde boas práticas têm surtido efeitos mais significativos. Em 10 anos, houve um crescimento de 171% deste segmento e hoje o sistema nacional de crédito cooperativo já é o quinto maior conglomerado financeiro do País.


Uma maior capilaridade - em 564 municípios brasileiros esta é a única forma de inclusão financeira, segundo a OCB - e taxas mais competitivas que as oferecidas pelas instituições do sistema financeiro nacional explicam este fenômeno.


No Ceará, onde existem 132 cooperativas em funcionamento com mais de 55,1 mil associados e 4,1 mil empregados, também se destacam os segmentos da saúde e agropecuária.


A Cooperativa Agropecuária de Produtos Orgânicos de Ibiapaba (Coapoi), que reúne 31 pequenos agricultores de hortaliças e frutas, tem conquistado bons resultados. Em 2016, o faturamento foi de R$ 400 mil e este ano a previsão é que supere a marca de R$ 1 milhão. “A gente existe há 16 anos como associação, mas em 2015 viramos cooperativa e temos conseguido crescer mais. Conseguimos reduzir de 30% a 50% nossos custos de insumos com atravessadores. Também encurtamos a distância do consumidor final”, afirmou o presidente da cooperativa, João Gomes, ressaltando que a produção deles hoje chega também aos municípios de Sobral, Fortaleza e Jericoacoara.


Para o coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e embaixador Especial da FAO para as Cooperativas, Roberto Rodrigues, para que o negócio dê certo é preciso trazer os valores que norteiam o cooperativismo da teoria para prática. Um processo lento que aos poucos começa a ganhar corpo no Brasil. A forma com que a cooperativa dialoga com a comunidade em que está inserida também é determinante.


“Não é um processo que se cria do dia pra noite, é algo lento, porque não é só uma questão de educação formal, é cultural. Mas acredito que aos poucos as pessoas estão percebendo as vantagens de se estar em uma cooperativa e, portanto, ser dono dela, que é o que vai criar condições para o desenvolvimento das cooperativas. Não se pode escolher o gestor da cooperativa por amizade, mas por eficiência”, diz Roberto Rodrigues.


Para ele, o principal desafio do cooperativismo brasileiro é o de unificar modelos de gestão dentro do projeto desenvolvido pelo Sistema OCB (Organização das Cooperativas do Brasil). Seria o chamado processo de autogestão.


O executivo de marketing e vendas, Cláudio Tomanini, destacou que o consumidor está seletivo, e quem insistir em velhas práticas está fadado ao insucesso. “Quanto mais atrasada a nossa visão, mas caro pagaremos por isso”.

 

Adriano Nogueira

TAGS