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Mais baratos, seminovos garantem retomada de crescimento

Venda de seminovos cresceu 11% no Ceará no primeiro trimestre de 2017 e segue em curva ascendente

01:30 | 13/04/2017

O astral melhorou nas lojas de usados no Ceará, nos últimos meses. Se o consumidor está mais cauteloso com suas finanças e deixando o carro novo para depois, bom para o comércio de veículos usados, especialmente seminovos (com até três anos de uso).

Seguindo a tendência nacional, o Estado obteve um crescimento de 11% na venda de seminovos no 1º trimestre de 2017, ante o mesmo período de 2016. Enquanto isso, no acumulado dos três meses, a mesma categoria cresceu 25,7% no País, em relação ao ano passado, segundo dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto).

O resultado reflete o maior cuidado das pessoas quanto ao comprometimento financeiro, a longo prazo. “De um maneira geral, este ano os veículos usados obtiveram bons resultados porque há busca por opções de custo menor”, afirma Elis Siqueira, consultor da Fenauto em São Paulo. O especialista foi convidado para participar ontem da 10ª Reunião Ordinária da Câmara Setorial da Cadeia Automotiva (CS Automotiva), na Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece), em Fortaleza.

Ascendência

A expectativa do setor é que 2017 seja um ano promissor e de ascendência na curva de vendas de seminovos. E não só usados, novos também. A boa perspectiva é reforçada após a Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) divulgar que a venda de automóveis e comerciais leves (picapes e furgões) no Estado cresceu 16,70% em março, ante fevereiro de 2017.

 

Desde 2015, o mercado de seminovos vem crescendo e, ao longo de 2017, o segmento deve crescer entre 6% e 8% no Ceará, estima José Everton Fernandes, presidente da CS Automotiva. “A direção da curva era decrescente e agora é de crescimento, de retomada”, diz.

Uma estratégia que tem contribuído para números no setor, são os grandes feirões, ambientes propícios para quem deseja ter um carro “quase novo”, a preços competitivos. “A grande oferta nesses feirões propicia fazer um leilão pra baixo. Um oferece um carro por um valor, outro por um preço mais baixo e o consumidor passa a ter poder de barganha. É bom pra quem compra e pra quem vende”, diz Everton. Feirões são realizados mensalmente no estacionamento da Arena Castelão. Os próximos estão marcados para ocorrer nos dias 21, 22 e 23 de abril.

Concorrência com novos

A instabilidade que se abateu sobre a política e economia brasileiras trouxe novos clientes para o mercado de seminovos. Advogado e diretor jurídico da Fenabrave, Alexandre Goiana cita a alta carga tributária e a restrição nos créditos de financiamento pelos bancos como desencorajadores à compra de veículos novos, por exemplo. Calcula que, para cada seis usados, apenas um novo é vendido. “80% das vendas dos veículos novos são lastreadas em créditos e os bancos, há um bom tempo, estão restringindo esse créditos. O carro continua muito caro no Brasil”, critica.

 

Washington Araruna, diretor superintendente do grupo Dafonte, por sua vez, diz que a restrição de crédito pelas instituições financeiras já ficou para trás. “Houve essa retração por conta dos prejuízos que os bancos tiveram, mas o nível de aprovação tem sido melhor porque quem está endividado não tem como buscar crédito”.

Alexandre lista ainda como desvantagem o aumento de 17% para 18% da alíquota modal do ICMS, que passou a vigorar este mês no Estado. “Houve aumento de 1% nas alíquotas de ICMS de todo o Brasil, mas o único estado que elevou a carga tributária para fins de veículos novos foi o Ceará”.

Para tentar tornar o preço do carro novo mais atrativo e não forçar uma disputa de venda com outros estados, a Fenabrave está pleiteando a redução do acréscimo do imposto. A estimativa é que, após reunião prevista para 10 de maio, que inclui a Secretaria da Fazenda, saia uma decisão sobre o pleito.

Apesar de retomar o fôlego, o desempenho de vendas dos seminovos e usados no Estado ainda é um dos menores da região Nordeste. Ultrapassa apenas Pernambuco, que registrou o pior resultado, com retração de 47,4% nas vendas no 1º tri.

 

LíGIA COSTA

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