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Jornal

Empresários e políticos se mobilizam contra congelamento da taxa

Federações das indústrias e bancada no Nordeste tentarão reverter decisão, que prejudica investimentos na Região

04/04/2017 01:30:00
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O congelamento das taxas de juros do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) até dezembro deste ano, decisão tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN)l na última sexta-feira, não foi bem recebido por políticos e empresários do Ceará. Um movimento está sendo articulado para tentar reverter a situação em Brasília. A preocupação é com a perda de atratividade do Fundo. O congelamento se dá em um cenário no qual a taxa Selic vem caindo em patamares mais elevados. Deste modo, o objetivo do Fundo – promover o desenvolvimento regional – seria esvaziado.

[SAIBAMAIS]

O presidente da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Beto Studart, informou que, junto com os presidentes das demais federações das indústrias do Nordeste, irá articular um movimento para pressionar o Governo a voltar atrás. “A indústria está desapontada com a decisão, primeiro porque estamos assistindo a um quadro de estabilidade em todos os índices – a inflação está caindo, o dólar equilibrado, e os juros declinando fortemente, acompanhando a necessidade de a indústria voltar a dinamizar seus negócios – e esta decisão vai na contramão. O que nos leva a crer que é uma necessidade do Governo manter este volume de dinheiro encaixado para resolver seus próprios problemas, dando as costas para a indústria do Nordeste”.


A previsão é de que a taxa básica de juros, a Selic chegue ao fim do ano em 9%, até mais baixa que muitas das modalidades do FNE que, pelas novas regras, passou a ser de 8,55% e 10,14%, para investimentos; de 13,08% e 15,23% para as de capitais de giro e de 7,65% e 9,05% %2b bônus para inovação.


O deputado Danilo Forte (PSB-CE) explica que a pauta deve estar na reunião da bancada do Nordeste de amanhã. “Este é um tema que vai e volta na bancada e nos preocupa muito porque o FNE é muito importante para manter uma política industrial na região”, afirmou. “As taxas do FNE têm que ser estimulantes para investimento de longo prazo e garantir a retomada do emprego é o que o Brasil e o Nordeste mais precisa neste momento”. A opinião é compartilhada pelo deputado José Guimarães (PT-CE). Ele diz que o congelamento fere a razão de ser do Fundo, que é criar condições mais favoráveis para a economia local e reduzir as desigualdades regionais. “A bancada do Nordeste precisa falar mais alto, nos unirmos contra isso”.


O deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB) explica que conseguir a redução ainda que de meio ponto percentual na última reunião do CMN não deixa de ter sido um ganho, já que havia uma tendência pela elevação dos juros. Mas reconhece que é preciso lutar por uma proporcionalidade maior com a queda da Selic. “Precisamos avaliar, daqui para a próxima reunião, como retomar os debates para que haja pelo menos um acompanhamento com a evolução da Selic”.

 

Irna Cavalcante

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