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Ceará negocia volta de refinaria com Petrobras

Questão foi discutida entre governador Camilo Santana e presidente da Petrobras, Pedro Parente. Estado tem interesse em estudos técnicos da companhia. Eles podem acelerar processo de implantação da unidade

21/04/2017 01:30:00
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Após desistir da Premium II no Ceará, a Petrobras negocia com o Governo do Estado para ser sócia de nova refinaria em parceria com investidores chineses da Guandong Zhenrong Energy e os iranianos da National Iranian Oil Company. Camilo Santana, governador do Estado, e o presidente da estatal, Pedro Parente, estiveram reunidos na última terça-feira, 18. “Coloquei que, se a Petrobras quisesse entrar como sócia do projeto, com o valor que ela investiu, não teria nenhum problema”, afirma Camilo.

[SAIBAMAIS]

A possibilidade de participação da Petrobras em nova refinaria foi confirmada por Camilo, ontem, durante cerimônia de assinatura do convênio entre o Estado e o Banco do Brasil (BB). A instituição disponibilizará crédito de R$ 6,6 bilhões para empresas cearenses que buscam incentivos na Secretaria do Desenvolvimento Econômico.


Para acelerar o tempo de instalação da refinaria no Complexo Portuário e Industrial do Porto do Pecém (Cipp), Camilo pediu para a Petrobras todo acervo técnico de estudos da estatal sobre a Premium II. “Encurtaria um grande caminho. É um projeto que está totalmente licenciado ambientalmente. Isso ajudaria muito”.

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A Petrobras poderia também estreitar laços com investidores europeus para vender o terminal de gás natural liquefeito (GNL) que a estatal tem no Pecém, em região de mar (offshore), além da operação de tancagem no Ceará. “São empresas da Europa que, através de Roterdã, têm interesse em fazer investimentos. A Petrobras vai marcar uma reunião com os interessados para abrir um canal de negociação”, aponta o governador.


Na avaliação de Antonio Balhmann, assessor especial para Assuntos Internacionais, o apoio é mais institucional. “É uma posição do Governo entrar com participação societária para dar peso institucional”. Procurada pelo O POVO, a Petrobras diz que mantém interesse em parcerias com refinarias já existentes.


Recursos

Balhmann adianta que até dezembro o projeto da refinaria será apresentado ao National Development and Reform Commission (NRDC) - Comissão Chinesa do Ministério do Comércio. Se aprovado esse ano pelo NDRC, a empresa chinesa estaria apta a receber recursos do fundo de projetos do acordo Brasil-China no ano que vem.

 

O investimento pode variar entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões. Ele também informa que o Governo assinou ontem o documento que formalizava o interesse do Estado na parceria do projeto com o Irã. Os iranianos da National Iranian Oil Company serão os responsáveis pelo envio de óleo para a unidade de refino no Ceará. A relação com a Guandong Zhenrong Energy facilitou a negociação. Os chineses desenvolviam negócios antes de as sanções do ocidente contra o Irã encerrarem.

 

Saiba mais


Capacidade

A unidade deve refinar 300 mil barris de petróleo ao dia. O empreendimento deverá gerar 10 mil empregos na fase de construção e 8 mil postos permanentes entre diretos e indiretos.

Sócia-fornecedora

A National Iranian Oil Company (NIOC) atuará como sócia-fornecedora da da Guangdong Zherong Energy. Destinará o petróleo à unidade de refino, mas terá de fazer investimentos para manter a operação.

 

Financiamento

O financiamento da nova refinaria no Ceará deve consistir em participação de até 70% dos agentes chineses. O montante poderá ser dividido entre credores iranianos e , para o Brasil, o BNDES.

Premium II

A Petrobras previa instalar uma planta de refino no Ceará. Conhecida como Premium II, a unidade foi removida do plano de negócios da companhia em 2015. O cancelamento também afetou a Premium I, no Maranhão.

 

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