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Desemprego e endividamento

24/01/2017 01:30:00

A demanda no Brasil deve seguir pressionada em 2017 pelo alto nível de desemprego e de endividamento das famílias, avaliou o diretor para o departamento de Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), Alejandro Werner, em uma análise sobre a América Latina.


“O Produto Interno Bruto continuou a se contrair no terceiro trimestre de 2016 e os indicadores da atividade econômica no fim do ano apontavam para uma demora na recuperação porque os gastos privados continuam fracos”, afirma Werner. A previsão do FMI para o Brasil foi rebaixada na semana passada e a estimativa é que o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer apenas 0,2% este ano, um dos piores desempenhos entre os emergentes.


O economista do FMI ressalta que para estimular a economia, o Governo anunciou recentemente medidas para ajudar as empresas altamente endividadas, além de reformas para reduzir a burocracia e os custos da atividade empresarial. Werner destaca ainda a aprovação da medida que estabelece teto para os gastos públicos e a proposta de reforma da previdência.


Ao mesmo tempo, enquanto o Planalto tenta arrumar as contas federais, Werner menciona que a situação fiscal de vários Estados é cada vez mais difícil. “Existe a expectativa de que uma nova legislação lance as bases para um ajuste na esfera estadual e para programas de reformas monitorados pelo Governo Federal”.


No lado da política monetária, Werner menciona que a inflação vem caindo rapidamente nos últimos meses e, no fim de 2016, estava abaixo do limite superior da margem de tolerância da meta do Banco Central. Com isso, foi possível acelerar “consideravelmente” o ritmo de corte da Selic na reunião deste mês do Comitê de Política Monetária.


Falando de forma geral sobre a América Latina, Werner alerta sobre a necessidade de os países da região continuarem a usar o espaço de que dispõem para calibrar o ajuste fiscal, uma vez que a expectativa é que os preços das matérias-primas continuem baixos em relação a seus níveis históricos, apesar da alta recente. (Agência Estado)

 

Adriano Nogueira

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