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Os ganhos que Bolsonaro traz do G20

30/06/2019 15:28:49
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O presidente Jair Bolsonaro (PSL) traz na mala de volta ao Brasil um acordo fechado que lhe renderá dividendos políticos e econômicos com a União Europeia, mas também alguns sinais que indicam preocupação. Um deles foi a saia-justa no desencontro entre o líder brasileiro com o primeiro-ministro chinês, Xi Jinping, cancelado depois de um atraso de 20 minutos – Bolsonaro não quis esperar o colega.

O episódio está repleto de significação, primeiro por causa do alinhamento irrestrito de Bolsonaro com Donald Trump, com quem manteve uma breve agenda no Japão. Segundo, em razão da base ideológica do presidente (antiglobalistas), que rejeita uma aproximação mais estreita com a China, hoje a principal economia do mundo e um dos grandes compradores de produtos do nosso País.

Mas a passagem de Bolsonaro pelo G20 inclui outros momentos importantes, alguns deles cômicos. Ao narrar a conversa que teve com a chanceler Angela Merkel, por exemplo, o pesselista disse ao menos duas vezes que a alemã arregalou os olhos ao ouvi-lo falar sobre possibilidade de exploração econômica da Amazônia e “psicose ambiental”, uma expressão colhida num livro obscuro cujo título o presidente não conseguiu lembrar. Houve constrangimento. É verdade que menor do que o provocado pelo aperto de mãos entre o capitão reformado e o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman. Acusado de assassinato por um jornalista, o saudita ouviu de Bolsonaro que o Brasil está de “braços abertos”.

Henrique Araújo