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Qual a hora certa de buscar reforço escolar?

Quando a opção é por contar com ajuda extra na realização de tarefas da escola e por reforço em algumas matérias, é preciso avaliar se a melhor escolha para o aluno é o acompanhamento em grupo ou individual

26/05/2019 00:01:36
(Foto: Ítalo furtado)

A escola é essencial ao aprendizado da criança. Nesse espaço, ela começa a interagir e criar relações sociais, além de obter conhecimento. Mas algumas crianças não conseguem acompanhar o modelo de aprendizagem e demonstram precisar de acompanhamentos para além das aulas curriculares. O reforço escolar surge, assim, como um caminho de apoio para superar tais dificuldades. No entanto, a professora e diretora escolar Sâmia Queiroz, alerta: “O reforço é indicado para casos de defasagem. No caso de dificuldades de aprendizado, o indicado é que estes alunos sejam tratados por profissionais especializados para cada caso, como psicopedagogos, terapeutas ocupacionais, entre outros”.

A educadora explica que a educação em massa brasileira, que reúne muitos alunos em uma sala com apenas um professor, deve ser repensada. “Há a necessidade tanto em escolas públicas como particulares de projetos de desmassificação, que permitam o acompanhamento do aluno de forma mais individual. Assim, o processo de aprendizagem será também acompanhado, e não apenas o resultado final, as notas. A aprendizagem é o foco maior e merece total atenção.”

Sâmia defende também que quando surge a desigualdade na aprendizagem de conteúdos dos anos anteriores, o fato influencia diretamente na necessidade de acompanhamento pedagógico, pois algumas habilidades importantes não foram desenvolvidas.

Para a psicopedagoga Lídia Andrade Lourinho, pós-doutoranda em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual do Ceará (Uece), o reforço escolar será benéfico quando a criança apresenta dificuldades em alguma matéria ou apresenta um ritmo menor do esperado para a idade e série em que está. “Seria uma forma de ajudar o aluno a obter um ritmo de aprendizagem semelhante aos demais da sua turma.”

A também mestre em educação em saúde reforça que mesmo quando se identifica a defasagem do aluno - identificada por professores, com apoio de coordenação ou de diretoria - deve se fazer um diagnóstico para a melhor compreensão das demandas do aluno.

Liliane Bernardo, pedagoga do reforço escolar Mestres, aponta ainda os temas que mais se apresentam nas dificuldades dos alunos do Ensino Fundamental. “Nas séries iniciais do Fundamental I, a dificuldade maior é leitura e interpretação, enquanto alunos do Fundamental II apresentam dificuldade de interpretação de textos e também nas disciplinas de exatas, Matemática, Física e Química. Muitos não conseguem entender os enunciados das questões e integrar contextos.”

Para o coordenador e professor Leandro Rios, do reforço escolar Carmen Rios, o momento para o reforço escolar é variável. “Depende muito do aluno, do seu desenvolvimento. Os pais devem acompanhar e perceber em que momento o aluno está tendo aquela dificuldade. Geralmente, os pais dizem que a criança não está conseguindo acompanhar o colégio, apresenta dificuldades na alfabetização ou em cálculo.”

Ao mesmo tempo que o reforço escolar ajuda também pode criar uma dependência do aluno em só estudar a partir desse modelo. Rios elucida que o reforço individual pode ajudar bastante, mas é provável que crie dependência. O reforço em grupo pode ajudar mais na independência do aluno na opinião do professor. “Existe os prós e contras nos dois casos. No individual, ficamos com aquele aluno ali e ele fica bem focado, mas é possível que fique mais dependente. No trabalho em grupo, o aluno pode participar mais, tirar dúvidas, o aprendizado fica mais por ele.” O importante é que se tente métodos que façam o aluno focar no aprendizado e que ele mesmo vá atrás de aprender, como em casos de aulas interativas.

 

Luana Façanha/ Especial para O POVO