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Protestos em quartéis convocados por Guaidó têm baixa adesão

| Venezuela | O ato era uma forma de pressionar pelo apoio dos militares contra o governo de Nicolás Maduro

05/05/2019 09:39:14
JOVENS levantam uma cópia ilustrada da Constituição da Venezuela
JOVENS levantam uma cópia ilustrada da Constituição da Venezuela (Foto: Ronaldo Schemidt / AFP)

O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, convocou para ontem protestos na frente de quartéis para pressionar pelo apoio dos militares, porém os atos tiveram pouca adesão. Enquanto Guaidó tentava convencer os militares a apoiá-lo, a TV estatal mostrava o presidente Nicolás Maduro em um ato com cadetes do Exército. "Lealdade sempre", gritou Maduro para uma multidão de cadetes com uniformes verdes. Nas ruas de Caracas, por sua vez, os militares deram uma demonstração do apoio a Maduro.

Em uma das cenas, um manifestante pró-Guaidó entregou a um policial um bilhete pedindo apoio à queda do presidente. O agente de segurança acabou queimando o documento, deixando as cinzas caírem no chão. "As forças armadas não serão chantageadas ou compradas", disse um segundo policial que assistia à cena, que ocorreu perto do palácio presidencial.

Um manifestante manifestou sua irritação. "É uma humilhação", disse Benito Rodriguez, que integrava um grupo de cerca de 150 pessoas.

Quando os ânimos começaram a ficar acirrados, a líder do protesto, Maria Suarez, pediu calma. "Por favor, muita disciplina", disse. "Eles acham que é uma piada. Eles não nos levam a sério. Eles não estão escutando", queixou-se o manifestante Andrea Palma. Os protestos ocorrem quatro dias depois de Guaidó clamar pelo apoio dos militares para tirar
Maduro do poder.

Por outro lado, ontem também, Maduro pediu que os militares estejam preparados para um eventual ataque dos Estados Unidos contra o país. Ele cobrou ainda lealdade das forças armadas.

"Estejam prontos e preparados para defender a pátria com as armas nas mãos contra o império norte-americano", afirmou Maduro durante um discurso a militares. "Queremos lealdade. Lealdade altiva. Confio nas Forças Armadas Nacionais Bolivarianas e na sua lealdade, confio em vocês. Um punhado de traidores não pode manchar o nome das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas frente ao povo."

A Venezuela enfrenta uma crise sem precedentes: há hiperinflação, recuo do Produto Interno Bruto (PIB), debandada de migrantes para os países vizinhos, desabastecimento e acusações de violência por parte das forças do Estado.

Enquanto isso, acontece a negociação da deserção da cúpula chavista que dá suporte ao governo de Maduro na Venezuela, mas ela encontra entraves nos próprios instrumentos da pressão adotada pela comunidade internacional. Um deles é a investigação que corre no Tribunal Penal Internacional (TPI), com sede em Haia, Holanda.

A oposição a Maduro, liderada por Guaidó, negocia com militares chavistas uma anistia que convença os atuais apoiadores do regime a deixarem de dar proteção ao ditador. A oferta de anistia tem sido estimulada pelos EUA. Durante a última semana, o assessor de Segurança Nacional, John Bolton, sugeriu que os apoiadores de Maduro aceitem as ofertas da oposição e o aceno americano de que as sanções econômicas e diplomáticas serão retiradas para aqueles que apoiarem Guaidó. Mas uma anistia interna e o fim das sanções americanas não são suficientes para garantir proteção aos que se envolveram em atos do governo Maduro que o TPI venha a classificar como crimes contra a humanidade. (Associeted Press e Agência Estado)

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