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5G - A corrida do Brasil para entrar na nova era tecnológica

|EVOLUÇÃO| As primeiras redes com tecnologia 5G já são realidade em algumas cidades da Coreia do Sul e EUA. No Brasil, a expectativa é que a novidade chegue em 2022

21/04/2019 00:00:21
Alphabet, Cloud Computing, Computer, Computer Monitor, Computer Network
Alphabet, Cloud Computing, Computer, Computer Monitor, Computer Network (Foto: Getty Images/iStockphoto)

No dia 6 deste mês, três operadoras da Coreia do Sul - KT, SK Telecom e LG UPlus - e a gigante norte-americana Verizon inauguraram novo marco tecnológico ao lançar os primeiros serviços comerciais de quinta geração (5G). A tecnologia, que pode oferecer velocidade de conexão até 100 vezes maior que a ofertada pela rede 4G LTE, promete revolucionar a forma como as pessoas se comunicam e fazem negócios no mundo. Especialistas acreditam que o lançamento em larga escala deve ocorrer na maioria dos países a partir do próximo ano. Mas o Brasil e o Ceará, embora contribuam com pesquisas na área, ainda têm um longo caminho pela frente para trazerem a novidade aos seus usuários.

O Brasil tem hoje mais de 228,9 milhões de conexões móveis ativas, segundo dados mais recentes, de fevereiro deste ano, da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Porém, pouco mais da metade usa o 4G. A aposta dos especialistas é que as primeiras conexões com 5G cheguem ao País em 2022.

No último dia 18, a Anatel abriu consulta pública para proposta de atualização dos requisitos técnicos e procedimentos de ensaio aplicáveis à avaliação da conformidade do produto Transceptor para Estação Rádio Base (ERB) visando incluir critérios para certificação da tecnologia AAS (Active Antenna System), equipamentos considerados importantes para a evolução da tecnologia LTE e também na introdução do 5G.

De acordo com o superintendente de Outorga e Recursos à Prestação da Anatel, Vinicius Oliveira Caram Guimarães, os primeiros editais para leilão de faixas de frequência para 5G devem sair em meados de 2020. A ideia é que a licitação seja feita em blocos de 3.5 GHz (a mais utilizada para este tipo de dispositivos), mas também de 2.3 GHz e de 700 MHz (esta última liberada pelo desligamento das TVs analógicas).

"Quando falamos em telecomunicações, as novas tecnologias estão diretamente relacionadas ao desenvolvimento do País porque movimentam os mais diversos setores da economia. E uma das premissas da Anatel é criar as condições para trazer o 5G o mais rápido possível", afirma.

Porém, ainda que existam espectros de rádio disponíveis, o cronograma de implantação depende dos planos de negócios das operadoras. E o alto custo de investimento é um entrave. "Só o último leilão de espectro de rádio foi algo em torno de US$ 1 bilhão", explica o coordenador do Grupo de Pesquisa em Telecomunicações Sem Fio (GTEL) da Universidade Federal do Ceará (UFC), Rodrigo Porto.

O grupo tem feito vários avanços em pesquisas na área de infraestrutura para receber o 5G. Inclusive, uma delas, em parceria com outras universidades brasileiras e internacionais e a empresa sueca Ericsson, já resultou em patentes. Testes feitos aqui com tecnologia Mimo (múltiplas entradas e saídas) em antenas para 5G apresentaram desempenho 64 vezes maior do que os obtidos em torres convencionais.

"O desafio tecnológico em si está em grande parte superado, mas a questão é como baratear esse investimento. Uma das nossas pesquisas é no sentido de como baratear a infraestrutura do 5G para levá-las a áreas mais distantes", diz.

Fazer ajustes no marco regulatório do setor e substituir os equipamentos existentes também demandam tempo, investimentos e novas licenças, explica o professor do Instituto Federal do Ceará (IFCE), Edson Almeida. "E quando começar a ser implantando vai ser pelas grandes cidades, com maior atratividade para as operadoras, para depois ir avançando. Ainda vamos levar um bom tempo para universalizar o uso", observa.

Ele reforça que ainda não é possível dizer também se isso vai implicar em custos muito mais altos ao consumidor. Em Houston, Indianapolis, Los Angeles e Sacramento, cidades norte-americanas que já dispõem da rede 5G, o serviço está sendo oferecido pela Verizon com planos de US$ 50 a US$ 70 mensais, já incluídos aparelhos receptores do sinal. "No Brasil, se seguir o que ocorreu com o 4G, a própria concorrência fez com que os preços depois de um tempo baixassem ao consumidor", acrescenta. 

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