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Arquivos de Pio XII sobre II Guerra serão abertos em 2020

| Vaticano| Papa Francisco disse que a Igreja Católica não tem medo da história. Pesquisadores vêm exigindo há anos acesso aos documentos

Papa Francisco lembrou que Pio XII dirigiu a Igreja em momento sombrio
Papa Francisco lembrou que Pio XII dirigiu a Igreja em momento sombrio (Foto: Filippo MONTEFORTE)

Os arquivos secretos do Vaticano sobre o pontificado do papa Pio XII (1932-1958) serão abertos em março de 2020, um gesto que poderia lançar luz sobre suas ações durante a Segunda Guerra Mundial. O anunciou foi feito pelo papa Francisco no Vaticano. "Eu decidi que a abertura dos arquivos do Vaticano para o pontificado de Pio XII será realizada em 2 de março de 2020", por ocasião do 81º aniversário da eleição de Eugenio Pacelli (Pio XII) ao papado, declarou Francisco ao receber os arquivistas da Santa Sé. Numerosos pesquisadores vêm exigindo há anos acesso aos documentos para examinar por que Pio XII não se manifestou durante o extermínio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, um silêncio que as organizações judaicas consideram uma forma de cumplicidade passiva.

"A Igreja não tem medo da História", garantiu o papa, lembrando que Pio XII esteve à frente da Igreja "em um dos momentos mais tristes e sombrios do século XX". "Assumo esta decisão (...) certo de que a pesquisa histórica séria objetiva e saberá avaliar sob a luz da justiça, com as críticas apropriadas, os momentos de exaltação deste papa e, sem dúvida, também, os momentos de sérias dificuldades, decisões atormentadas, prudência humana e cristã", acrescentou. Essas decisões "poderão parecer para alguns como uma relutância, mas foram, de fato, tentativas (...) de manter, em tempos de profunda escuridão e crueldade, a pequena chama de iniciativas humanitárias, da diplomacia oculta, mas ativa", assegurou o pontífice argentino. (AFP)

Israel declarou 'estar satisfeito'

Em Jerusalém, o Memorial da Shoah de Yad Vashem saudou a decisão tomada pelo papa Francisco de abrir os arquivos secretos de Pio XII, sobre a II Guerra Mundial. Para o Memorial, a deliberação "vai permitir pesquisas abertas e objetivas, bem como um estudo completo das questões ligadas à atitude do Vaticano em particular, e da Igreja Católica como um todo, durante o Holocausto".

O governo israelense declarou, por sua vez, estar "satisfeito desta decisão" e desejou que ela permita "o acesso aos arquivos pertinentes" de Pio XII.

Enquanto seus sucessores - João XXIII (1958-1963), Paulo VI (1963-1978) e João Paulo II (1978-2005) - foram canonizados, o processo de beatificação de Pio XII, relançado em 2009 por Bento XVI, está parado desde então devido às controvérsias sobre o seu papel durante a II Guerra Mundial.

Para muitos historiadores, Pio XII deveria ter condenado o massacre de judeus com muito mais firmeza, mas não o fez por causa da cautela diplomática e para não colocar em perigo os católicos na Europa ocupada.

A peça de teatro "O Vigário", do dramaturgo alemão Rolf Hochhuth de 1963, adaptada para o cinema no filme "Amen" do grego Costa Gavras em 2002, contribuiu muito para a imagem de um papa sem preocupação com a situação dos judeus.

Outros historiadores, no entanto, afirmam que ele salvou dezenas de milhares de judeus italianos pedindo aos conventos que lhes abrissem suas portas.

Segundo monsenhor Sergio Pagano, responsável pelos arquivos secretos do Vaticano, os trabalhos em vista desta abertura começaram sob o pontificado de Bento XVI em 2006, após a abertura dos arquivos sobre o pontificado de Pio XI (1922-1939). (AFP)

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