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A SEMANA

A prisão de Temer e a força da Lava Jato

24/03/2019 02:21:02

NÃO É QUE A PRISÃO do ex-presidente Michel Temer (MDB) fosse algo inesperado, mas a determinação de prisão preventiva que se materializou na última quinta-feira gerou surpresa. Alvo de dez investigações, sem foro privilegiado desde que deixou o Palácio do Planalto, sem ser réu e sem ter condenação, com residência conhecida, sem esboçar qualquer sinal de planejamento de fuga, por que ele foi preso agora?

Sem um fato novo que a embasasse, a decisão judicial, assinada pelo juiz federal da 2ª Região Marcelo Bretas, foi alvo de críticas, inclusive citando fragilidade na fundamentação. O pedido de soltura do emedebista está previsto na pauta de quarta-feira da 1ª Turma do TRF-2. Sem entrar no mérito da culpa de Temer, o fato é que esta se torna mais uma controvérsia no escopo da Lava Jato.

Uma das respostas imediatas, na tentativa de explicar a determinação da prisão do ex-presidente, tem sido um movimento de ofensiva da própria Lava Jato, que busca mostrar força. A operação completou cinco anos no domingo passado, após uma semana marcada por derrotas. Além da decisão colegiada do Supremo Tribunal Federal (STF), que atribuiu à Justiça Eleitoral a responsabilidade por julgar crimes que tenham relação com caixa 2, a procuradora-geral da República Raquel Dodge pediu anulação de fundo bilionário que a força-tarefa planejava gerenciar. Foram dois duros golpes na operação. A semana de desgastes se agravou com a troca de ataques públicos, remetidos por entrevistas e também por redes sociais.

O esforço da Lava Jato em mostrar sobrevida foi comemorado por alguns, que veem em Temer o chefe de quadrilha apontado pela denúncia. Por outro lado, sobraram críticas. O senador cearense Tasso Jereissati (PSDB), por exemplo, voz recorrente de oposição ao emedebista, qualificou a prisão como "espetáculo midiático" e "abuso de autoridade". Convenhamos, se o TRF-2 entender que houve mesmo fragilidade de fundamentação e decidir pela soltura de Temer, o rebuliço se resumirá às imagens de um segundo ex-presidente sendo preso pela operação.

 

Lucinthya Gomes

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