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Para especialistas, reforma da Previdência será grande teste

| CÂMARA DOS DEPUTADOS| Quantidade de partidos deve dificultar trabalho na Casa

04/02/2019 04:12:08
Rodrigo Maia (DEM/RJ) foi reeleito presidente da Câmara na sexta-feira passada
Rodrigo Maia (DEM/RJ) foi reeleito presidente da Câmara na sexta-feira passada

Empossada e com Rodrigo Maia (DEM-RJ) reeleito presidente, a Câmara dos Deputados teve, na última sexta-feira, 1º, a formalização dos primeiros blocos partidários junto à Secretaria-geral da Mesa da Casa.

O bloco capitaneado pelo PSL do presidente do País, Jair Bolsonaro, comporta outros 10 partidos. Juntas, as siglas totalizam 301 parlamentares.

O volume da aliança, todavia, não implica em facilidade para que a agenda do Governo Federal, sobretudo a econômica, encontre facilidades na Casa, já que abriga partidos como MDB, sigla diversa em seus quadros e com potencial de discordância. Se soma a isto outros dois blocos de oposição, liderados por PT e PDT. A avaliação é do doutor em sociologia Clésio Arruda.

Ele ressalta ainda a indefinição quanto a atuação do PSL, com muitos deputados na primeira experiência política. Sobre o bloco, exemplifica que o MDB, com força em municípios pequenos e eleitorado pertencente, muitas vezes, à classe trabalhadora, pode não dar votos à Reforma da Previdência, prioridade do Governo Federal.

"A relação (grande bloco, facilidade para aprovações) não é tão direta, porque você tem um bloco, tem o interesse do partido e o interesse do político. Não dá para a gente imaginar que essas questões serão costuradas tão facilmente. Cada político tem interesses imediatos e a longo prazo".

Liderado pelo PDT, todo o bloco deverá seguir a conduta do partido, aposta o cientista. Em diversas oportunidades, lideranças da agremiação, a exemplo dos irmãos Cid e Ciro Gomes, afirmam que não serão oposição programática, nem situação automática.

Historiadora com estudos sobre partidos políticos, Dulce Pandolfi elabora que, entre as razões para que PDT e PT estejam em blocos diferentes, está a busca da sigla brizolista por protagonismo, além de reação à hegemonia do PT nos setores à esquerda e centro-esquerda.

"Comunistas e socialistas se digladiaram no passado", ilustra Dulce para dizer que "a despeito de toda a afinidade que PDT e PT possam ter, é importante marcar diferenças". Na política, diz, é comum que a afirmação pela diferença.

Ela diz que, apesar disto, os dois partidos de centro-esquerda votarão juntos quando as principais questões forem submetidas à Câmara dos Deputados.

Professor da Universidade de Brasília (UnB), Flavio Britto ressalta que, no discurso de posse de Maia, a palavra-chave é modernidade. Assim, constrói, os partidos devem aprovar medidas, independente de blocos partidários.

"PT tende, até por conta da eleição presidencial, a fazer oposição mais acirrada. O PDT, acredito, vai ter posição mais independente, pelo que vem sendo colocado nos discursos. Aquilo que for bom para o Brasil, deverão votar", diferencia.

Britto classifica a Reforma da Previdência como principal necessidade e, voltando-se para o Governo, diz que será a prova de fogo, onde a capacidade de articulação da Casa Civil será testada.

Carlos Holanda

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