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Energia Os movimentos do setor no Ceará

|TENDÊNCIAS| Diversificação das fontes, migração do consumidor para o mercado livre e o uso de baterias estão entre as principais mudanças

20/01/2019 00:00:00
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21 de março de 2018. Uma falha na linha de transmissão da usina hidrelétrica de Belo Monte (PA) provocou um apagão em todas as regiões brasileiras. Na Capital, 670 semáforos sem funcionar deram o tom de caos à Cidade. O metrô de Fortaleza também parou. Com o gargalo no trânsito e o medo da população varar o anoitecer sem luz, o comércio fechou as portas mais cedo. O incidente que durou quatro horas evidenciou o papel da energia elétrica na sociedade moderna e para o desenvolvimento econômico. A questão é que o Brasil ainda engatinha para alcançar eficiência na produção e transmissão deste recurso.

%uFFFCNesse contexto, o Ceará ainda tem muito a avançar, mas está no caminho certo, após as conquistas nos últimos leilões de energias renováveis. Em abril do ano passado, o Estado arrematou o certame da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Dos 29 empreendimentos, o Estado ficou com 14 usinas, totalizando 40%.

 

O investimento foi de R$ 2,1 bilhões. Os parques devem ser entregues em 2022. "Estamos voltando aos patamares de liderança", avalia o coordenador do Núcleo de Energia da Federação das Indústrias do Estado (Fiec), Joaquim Rolim, lembrando que, nos últimos ano, o Ceará perdeu espaço para estados como Rio Grande do Norte e Bahia.

 

Em 2019, deverá ser produzido aqui o maior aerogerador on shore (em terra) do mundo pela multinacional Vestas, que investirá R$ 100 milhões em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

 

O Governo do Ceará diz que a política energética estadual é priorizar as fontes de energias renováveis. "Com os investimentos, a expectativa é que, entre 2019 e 2022, o Estado dobre sua capacidade de geração de energia eólica, contribuindo para que o Nordeste se fortaleça como exportador de energia para o Sudeste do Brasil". Em relação à geração solar, a meta do Governo é aumentar a capacidade de geração de energia fotovoltaica dos atuais 5 megawatts (MW) para, aproximadamente, 390 MW até 2022. O incremento será suficiente para abastecer mais de 1 milhão de habitantes.

 

Outro passo dado foi a celeridade no processo de licenciamento e autorização ambiental para empreendimentos de energia solar. O Conselho Estadual do Meio Ambiente (Coema) modernizou e estabeleceu novos critérios e parâmetros para esses processos.

 

Entre as novidades para 2019, está o Atlas Híbrido do Ceará, que teve investimento de R$ 1,6 milhão do governo estadual, Fiec e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). O recurso deve atrair players. "Vai ajudar o investidor saber o potencial da área. Diferentemente dos mapas estáticos, ele vai permitir que seja feita uma pesquisa em tempo real pesquisa antes de investir", detalha. A ferramenta será lançada em abril próximo e será publicada em três idiomas.

 

Na Universidade Federal do Ceará (UFC), o Grupo de Processamento de Energia e Controle (GPEC) realiza estudos a fim de desenvolver soluções para o setor. Entre os protótipos está uma microrrede. "Tem um ponto de conexão que pode estar ligado a várias fontes. Caso a

rede principal venha a ser desligada, a microrrede tem a possibilidade de entrar em estado ilhado. Ou seja, se desconecta e fornece energia independentemente das distribuidoras", explica Lucas Silveira Melo, professor do Departamento de Engenharia Elétrica.

 

Ele conta que o projeto é uma tendência em condomínios residências. O GPEC também elabora planos de modernização da Enel Distribuição Ceará, concessionária de energia do Estado. Em 2018, a empresa investiu R$ 4,9 milhões para conexão de novos clientes e para modernização e digitalização da rede de distribuição.

 

Fontes

 

Para ampliar a oferta de eletricidade é importante considerar todas as fontes de energia disponíveis. As fontes convencionais são: energia hidráulica, gás natural, carvão mineral, derivados do petróleo e energia nuclear. As não convencionais são: energia eólica, solar e de biomassa

 

Domicílios

 

Em 2017, havia 2,878 milhões de domicílios no Ceará. Destes, 1,261 na Região Metropolitana de Fortaleza. Cerca de 99,9% deles têm energia elétrica

 

Números

 

80 É O NÚMERO de usinas eólicas em operação atualmente no Ceará

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BRUNA DAMASCENO

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