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Jornal

"A ciência tem uma relação ampla com o budismo"

Dois dedos de prosa com Lama Padma Samten

13/01/2019 00:00:00
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Foi justamente a Academia que conduziu o então professor de Física Alfredo Aveline, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), rumo à questões existenciais. A ciência, segundo afirma, tem uma ligação forte com a prática budista pelo que ele chama de confiança na compreensão. Criador, presidente e diretor espiritual do Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB), Aveline assumiu a nomeclatura de mestre Lama Padma Samten. No próximo dia 20, ele vem a Fortaleza para uma conversa. Uma compilação de maneiras de buscar devolver o fascínio no cotidiano, a palestra Reencantamento da vida: Conselhos para o ano que se inicia (bit.ly/2SH1Cia).

 

O POVO: O contato com a ciência o conduziu para a espiritualidade?

 

Lama Padma Samten - Eu era professor da UFRS, em Porto Alegre. A ciência tem uma relação ampla com o budismo porque há uma confiança na compreensão. O budismo é uma tradição que não se inclui na categoria de tradição revelada. Há uma confiança na compreensão das coisas. Não é uma verdade que tenha sido propagada anteriormente. Então, nesse sentido, tem relação com a ciência enquanto método.

 

OP - Como foi o início da sua caminhada?

 

Lama Padma Samten - Meu interesse pelo mundo espiritual veio paralelo à ciência. São questões grandes, por exemplo, de como surge o próprio mundo e as leis naturais que o regem. Eu tentava compreender e estudei muito ciência, astronomia, biologia e, também, o mundo espiritual. Mas o meu contato primeiro com práticas de meditação vem da ioga. Meu pai me introduziu à ioga ligada ao corpo, a saúde e a mente.

 

OP - É possível modificar a sua realidade, o seu mundo, da violência para paz? De que forma?

 

Lama Padma Samten - No budismo, especialmente, estudamos como, num mesmo ambiente, pode haver seis grupos de pessoas. Na perspectiva budista cada grupo sente que a realidade é da forma como eles veem e não entendem as sensações das pessoas dos outros grupos. Os mestres budistas nos ensinam que há um movimento constante com a percepção das pessoas passando ciclicamente de um grupo para outro. Aqueles que são muito agressivos num certo momento se deslocam, começam a mudar, e acolhem os outros. Tem outros que são muitos felizes, mas começam a desenvolver uma energia crítica, desenvolvem medos e se tornam agressivos. Ao observarmos essas transformações, vemos que o mundo interno das pessoas muda. É possível tornar a nossa mente uma mente pacífica e livre e construir realidades melhores.

 

OP - Essa mudança é um processo de escolha ou é moldada por sua história de vida?

 

Lama Padma Samten - Vamos supor que precisássemos fazer uma viagem. Você sabe o caminho, você pega a BR-116 em direção ao norte. A gente entende e sabe o que fazer. O caminho espiritual é isso: olhamos e entendemos o mapa e situação e o movimento natural aparece. Não é algo que você tenha que lutar contra. É algum natural. Ao entender que o mapa da felicidade inclui alegria, amor e generosidade, os caminhos estão abertos e nós seguimos viagem.

ANGÉLICA FEITOSA

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