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"Guerras culturais" são a marca de um novo tempo após as eleições

Na esteira das eleições, as disputas em torno de valores morais ganharam intensidade

00:00 | 11/11/2018

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Aos 81 anos, Maria Feliciano receia que a neta, sete décadas mais nova, seja "deflorada". Para a octogenária, as escolas doutrinam as crianças para a sexualidade, erotizando-as precocemente. "Eu não concordo com isso", diz. "Votei em Bolsonaro para que isso acabe."

[SAIBAMAIS] 

A aposentada, que faz questão de ir às urnas em todas as eleições, também tem a expectativa de que essa "cultura abortista" que se disseminou ultimamente encontre um freio sob o governo do presidente eleito do PSL.

 

Em pouco mais de 10 minutos de conversa, a eleitora, que mora na Aldeota, um dos poucos bairros onde Bolsonaro derrotou Fernando Haddad (PT) em Fortaleza no segundo turno, não mencionou as reformas tributária ou da Previdência entre suas preocupações.

 

Maria não é exceção. Etnia, sexualidade, comportamento e religião estão no centro de uma disputa entre uma direita economicamente liberal e conservadora nos costumes contra uma esquerda estatizante e socialmente inclusiva.

 

Essa guerra cultural, todavia, não começou agora - data do fim dos anos 1980. Tampouco seus primeiros torpedos foram disparados em território brasileiro, mas nos Estados Unidos de George Bush.

 

De lá para o Brasil de 2018, porém, essa divisão se acentuou. Hoje, a progressiva substituição de temas políticos nas eleições por assuntos ligados à moral explica parte do sucesso de Jair Bolsonaro no País.

 

Na esteira de polêmicas como a censura às exposições "queer" no ano passado, a campanha eleitoral deste ano se transformou numa caixa de ressonância de um conflito que opõe visões de mundo polarizadas. O que está em jogo não é a condução da economia, afirmam especialistas ouvidos pelo O POVO. É o próprio conceito de família.

 

Professor do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP), Ricardo Musse afirma que o discurso de Bolsonaro plasmou demandas de um segmento expressivo do eleitorado para o qual a proteção à célula familiar é um debate tão ou mais importante quanto o do combate à corrupção.

 

"O que se discutia nos meios acadêmicos é se essa agenda conservadora, comum nos EUA, poderia vir a ser a pauta prioritária de um candidato de direita no Brasil", explica Musse. "Não se pensava que teria a dimensão que teve agora."

 

De acordo com ele, a tese principal entre estudiosos era de que, no País, por sua desigualdade crônica, "a discussão econômica prevaleceria sempre numa eleição", e o tópico dos costumes não seria decisivo. "O brasileiro sempre foi de esquerda na economia, defendendo um Estado-previdência, mas, em termos de comportamento, é tradicionalista", diz Musse.

 

"Até então, essa combinação era favorável ao PT", continua, "na medida em que o candidato era o Lula, porque o petista era identificado com essas duas posições: a manutenção dos costumes e a ênfase do Estado". Esse pacto se desfez nos governos de Dilma Rousseff, que "estimularam o protagonismo de feministas, negros, LGBT etc.".

 

Musse situa no impeachment da ex-presidente o início de uma contraofensiva conservadora. Segundo ele, Bolsonaro ofereceu, dois anos depois da destituição da petista, uma dupla resposta para essa faixa do eleitorado, que o levaria à Presidência.

 

Primeiro, a garantia de que o modelo familiar assentado na união entre homem e mulher seria mantido como norma social. Em seguida, o aceno à promessa de que a integridade física e material estaria assegurada por meio da flexibilização do porte de armas.

 

"Como dizia Raymundo Faoro, o Brasil é o Hércules-Quasímodo", brinca Emanuel Freitas, sociólogo do Núcleo de Estudos em Religião e Política da Universidade Federal do Ceará (UFC).

 

"Quando os costumes avançam, há um recuo na sociedade, que é quase sempre violento", conclui o analista, para quem, no curso da campanha e mesmo agora, há, numa fração numerosa da sociedade, a percepção de "destruição da moral" como estratégia política.

 

Projetos como o "Escola sem Partido" são parte dessa queda de braço, acrescenta. Freitas pontua ainda que os estudos de gênero causaram uma perturbação na ordem vigente, dando visibilidade a grupos subalternos, como negros e gays.

 

Para o pesquisador, os "enfrentamentos culturais tendem a se intensificar" depois da posse de Bolsonaro. "As ideias que os grupos conservadores defendem chegaram ao poder.

 

Agora, eles não estão mais na defensiva."

HENRIQUE ARAÚJO

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