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"Essa agenda moral é menos urgente", afirma pesquisador

| governo |

16/06/2019 01:42:57

Professor e pesquisador do Departamento de Sociologia da Universidade Federal (UFC), Valmir Lopes acredita que a agenda moral que levou Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência não será prioritária.

"Nossa dificuldade não é de natureza moral. É econômica", analisa o docente. "O restabelecimento da economia vai deixar isso em segundo plano. Não por desejo, mas por necessidade prática de governar."

De acordo com o estudioso, Bolsonaro terá um desafio inicial, que é a gestão da crise política e a recuperação do grau de investimento do Brasil, além de fazer avançar uma agenda de reformas no Congresso, que vem se mostrando resistente.

Segundo Lopes, o que é determinante para o futuro de Bolsonaro não é essa guerra cultural, que funciona apenas para manter seus apoiadores mobilizados, mas as projeções de crescimento e o aumento do emprego.

"Essa pauta moral, baseada nos costumes, é menos urgente, fragmentada e provoca discórdia. Dificilmente prospera", diz o professor, para quem o eleitorado de Bolsonaro não é homogêneo, tampouco se limita a um receituário conservador.

"O eleitorado dele é segmentado, não tem uma agenda única. Isso é outra ilusão que foi criada em parte pelos opositores do candidato", afirma. "Bolsonaro não sintetiza a expectativa do conjunto dos eleitores."

Cientista político da Universidade de Brasília (UnB), Ricardo Caldas também prefere minimizar os riscos de um acirramento político pautado pela disputa de valores.

Para ele, a tendência é que haja "uma triagem de conteúdos didáticos" relacionados ao Governo e distribuídos nas escolas. Caldas pondera, entretanto, que essa controvérsia de natureza religiosa "será colocada de maneira cuidadosa" pelo capitão da reserva.
(Henrique Araújo)

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