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As macrotendências que se abrem para o Ceará até 2030

No mundo, crescerá a demanda por energia, alimentos, tecnologia e mobilidade. Áreas que o Estado desfruta de grande potencial para negócios

00:00 | 21/10/2018

 

O mundo passa atualmente por grandes transformações. Muitas delas impulsionadas pela Quarta Revolução Industrial, a chamada Indústria 4.0, que tem trazido amplitude, velocidade e profundidade às mudanças. Mas se este é considerado um processo irreversível, quais as oportunidades que surgem no futuro para um país como o Brasil - e dentro dele o Ceará -, que ainda está engatinhando neste contexto?

Para responder à pergunta, a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) fez um estudo sobre as principais macrotendências mundiais até 2030. E a conclusão é que, neste período, crescerá significativamente na Terra a demanda por energia renovável; intensificação pela produção de alimentos; por serviços e produtos para atender à população que está envelhecendo; e a expansão do entretenimento e turismo.

Também haverá aumento da demanda por produtos e serviços na área de segurança em razão do acirramento das tensões geopolíticas entre os países; transformação no padrão de produção da indústria, que tende a ser menor fisicamente, porém mais eficiente, dinâmica e menos poluente; maior demanda por urbanização e emergência de megacidades; e por uma infraestrutura mais moderna e competitiva das cidades.

O vice-presidente da Fiesp, José Ricardo Roriz, autor do estudo, ressalta que em todas as áreas analisadas o Brasil tem grande potencial natural de negócios. Porém, para tornar isso em algo realmente palpável, é preciso dar um salto em produtividade e modernização tecnológica. O que, na avaliação dele, é factível de ser alcançado se as inflexões começarem a

ser feitas agora.

"Enquanto o Brasil ainda está afundado em uma das mais graves e longas crises econômicas da sua história, o mundo está passando por grandes transformações tecnológicas e de costumes. E se não quiser perder o fio desta história, precisa se transformar, investir em inovação e ter políticas públicas mais claras e que apontem para o caminho certo", observa.

Ele diz que o Ceará, até por sua localização geográfica e potencial natural, terá muitas oportunidades em setores como energia, entretenimento e turismo. Com a mudança no padrão de produção das indústrias para uma escala de produção menor, mais itens também tendem a ser produzidos localmente.

E apesar da distância que ainda tem dos grandes centros produtores brasileiros, fatores como o equilíbrio fiscal, nível de investimento público e bons indicadores em educação colocam o Ceará em condição diferenciada a muitos estados brasileiros. "Tem tudo para sair na frente de muitos estados que estão com estes fundamentos básicos para o desenvolvimento em atraso", afirma.

O gerente de inovação da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Pablo Padilha, enxerga que grandes projetos que estão sendo instalados no Estado como a trinca de hubs - aéreo, de telecomunicações e portuário - aliado ao crescente número de grandes empresas internacionais que chegaram ou estão chegando como a alemã Fraport, a holandesa Rotterdam, a africana Angola Cables e os coreanos da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), podem ajudar a encurtar etapas.

"O Ceará tem uma chance grande de chegar a 2030 mais competitivo. Inclusive, tem muitos potenciais que ainda não foram revelados com clareza. Mas acredito que já tem muita tecnologia rodando, mão de obra capacitada, bons equipamentos, o que falta é integrar tudo isso", destaca.

IRNA CAVALCANTE