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A tecnologia a serviço do consumidor na área da saúde

00:00 | 14/10/2018

FABIO LIMA
FABIO LIMA
 

A tecnologia tem revolucionado várias áreas de conhecimento e na saúde não é diferente. Dados da Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde (Abiis) dão conta que existem mais de 500 mil tecnologias médicas operadas atualmente. Da fabricação de medicamentos a microchips que detectam de forma precoce a possibilidade de um indivíduo contrair determinada doença. 

 

Inovações, inclusive no Ceará, que estão fornecendo aos profissionais da saúde novas perspectivas sobre a Medicina.

 

O pós-doutor em pesquisa pela University College London (UCL) em Biologia Celular Molecular, Tim Hawkins, diretor geral de Clinical Solutions da Elsevier (EMEA & Latin America), explica que um dos principais reflexos dessa inserção é a possibilidade de acelerar o processo de transformação da medicina curativa em uma medicina mais preventiva.

 

"Um dos aprendizados chave é a esperança que os registros eletrônicos nos hospitais da atenção primária iria melhorar a saúde como um todo. E a experiência mostra que 80% dos problemas de saúde poderiam ser tratados na atenção primária", diz.

 

Nos Estados Unidos, onde a incorporação de tecnologia na saúde é mais presente, sobretudo em sistemas de apoio à decisão clínica (CDS), pesquisas mostram que 60% dos médicos, de posse de informações mais completas sobre o histórico do paciente, ficam mais propensos a prescrever os remédios corretos. E mais de 70% deles mais propensos a pedir os testes de diagnóstico necessários.

 

"A Organização Mundial da Saúde (OMS), com base nos dados da Rede de Resistência Antimalárica Mundial (WWARN), primeira rede de compartilhamento de informações com 260 instituições que trabalham com a malária, também revisou a dose recomendada de DP, um antimalárico usado para crianças pequenas. Imagina o que pode ocorrer se mais redes em outras áreas fossem criadas?" indaga.

 

Em termos de informatização de dados, o Brasil ainda tem um longo caminho pela frente. A pesquisa TIC Saúde 2018, mapeamento tecnológico anual realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) em estabelecimentos de saúde público e privados no Brasil, mostra que, embora 81% dos estabelecimentos de saúde já tenham dados cadastrais eletrônicos dos pacientes, nem todos incluem informações sobre diagnósticos (57%) ou histórico de alergias do paciente (47%).

 

No Nordeste, apenas 86% dos hospitais têm computador e 75% acesso à internet. "O Brasil tem avançado, mas o desafio é universalizar esta infraestrutura a capacitar o profissional no uso destas aplicações. Porque não adianta ter estrutura se não souberem usar. O que requer recursos, vontade política e políticas de capacitação adequadas", afirma o gerente do Cetic, Alexandre Barbosa.

 

Rochael Ribeiro Filho, sales engineer da InterSystems, empresa que desenvolve plataformas de tecnologia da informação para aplicações para as áreas de saúde, destaca que, tecnologicamente, não existem mais barreiras no Brasil. Porém, o custo de implantação de tecnologia sempre será um desafio. Até mesmo em razão das dificuldades de financiamento em inovação.  Mas essa é uma questão que precisa ser observada de forma mais ampla.

 

"Quanto custou informatizar a Receita Federal? Os benefícios que vieram depois não são maiores? Claro que sim. Não dá para observar só pelo aspecto financeiro, mas os benefícios ao cidadão. O tempo que ele economiza com o acesso ao histórico do paciente, a quantidade de dinheiro que deixa de ser desperdiçado em exames desnecessários. Sem contar que, quanto mais gente usando a tecnologia, mais barato fica", observa.

 

Robótica 

 

Robôs que fazem cirurgia já não são mais peças de ficção. Em pouco mais de três anos, o Hospital Monte Klinikum, em Fortaleza, pioneiro nas regiões Norte e Nordeste, já realizou mais de 350 procedimentos com o robô da Vinci.

A tecnologia possibilita ao médico que comanda a cirurgia ter uma visão tridimensional que amplia a visão em até 20 vezes, maior precisão dos movimentos, além da redução de riscos aos pacientes.

 

Os robôs já são usados em cirurgias bariátricas, geral, urologia, coloproctologia e, desde o último dia 30, na ginecologia. Neste caso, com a versão mais moderna do robô (da Vinci Si) que é capaz de iluminar, por meio de fluorescência, a área do procedimento. Ou seja, distingue-se o tecido comprometido do seu entorno. O hospital pretende a partir deste mês iniciar as cirurgias torácicas.

IRNA CAVALCANTE