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Quando elas não disseram "amém"

| VOZES DAQUI | Sem direito à participação política, no Ceará do século passado, as mulheres tentavam conciliar os desejos de igualdade com a obediência às leis da Igreja

00:00 | 02/09/2018

 

Cidadania plena, emancipação econômica, legalização do divórcio e igualdade social eram demandas do feminino e lutas do feminismo do século XX, que ecoavam no Ceará. O movimento nacional pelo voto feminino, impulsionado com a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (de 1922, presidida por Betha Lutz), ganhou adeptas em juntas estaduais, a partir do Rio de Janeiro. No Ceará das décadas de 1920 e 1930, embora não existisse uma junta da Federação, havia o feminino revolucionário.

 

O percurso histórico pela conquista do voto das mulheres no Estado está sendo feito pela mestranda Larissa Custódio, da Universidade Federal do Ceará. Pesquisando o tema há um ano, ela vai ao encontro das feministas e das primeiras eleitoras cearenses: Carmelita Barcelos de Aboim, Creuza do Carmo Rocha, Susana de Alencar Guimarães, Adília de Albuquerque Morais… Letradas, de classes sociais favorecidas, que entravam na Justiça “para dizer que elas poderiam, sim, serem alistadas nos livros eleitorais do Estado”, restaura Larissa.

 

Mulheres, sublinha a historiadora, como a intelectual Henriqueta Galeno “que, embora sofresse preconceitos e essa desigualdade, tinha infl uência na esfera pública: era advogada, escritora. E se utilizava desse capital simbólico para pleitear, junto aos governos e poderes instituídos, mudanças”. Henriqueta, informa Larissa, foi uma representante da federação de Bertha Lutz no Ceará, defendendo que “o direito de voto deveria ser entendido como uma porta de entrada para outros direitos”. Eram as décadas de 1920 e 1930, mas não parece tão distante assim.

 

“Naquela época, como até hoje, existia a tradicional divisão entre o público e o privado: os homens pertenciam ao ambiente público e, para as mulheres, foi construída a ideia de que pertencia à domesticidade, que deveria atuar no cuidado dos fi lhos, da casa”, expõe Larissa Custódio. “Para aquelas mulheres (primeiras feministas cearenses), essas divisões não poderiam acontecer: elas queriam participar, ser inseridas no âmbito público. E diziam que não abandonariam os deveres de mãe e de esposa. Tinham um discurso conciliador”, conclui.

Ana Mary C. Cavalcante

 


Obras retratam luta

A conquista do sufrágio feminino, no País, foi reconstituída, recentemente, no livro O Voto Feminino no Brasil (2018), da professora Teresa Cristina de Novaes Marques. A historiadora escreveu ainda Perfil Parlamentar: Bertha Lutz (2016). As publicações podem ser obtidas, gratuitamente e em PDF, no site das Edições Câmara (livraria.camara.leg.br).

 

O movimento sufragista britânico, que inspirou a luta feminina pelo voto no Ocidente, foi retratado no filme Suffragette (As Sufragistas, 2015), dirigido por Sarah Gavron. Conduzido por uma personagem ficcional, o roteiro de Abi Morgan mostra o período radical do movimento, a partir de 1912. A atriz Meryl Streep, em uma participação especial, interpreta a histórica líder do movimento, Emmeline Pankhurst.

 

Bertha (Maria Júlia) Lutz

Paulista, nasceu em 1894 e, em 1919, quando o espaço das mulheres era o casamento, a zoóloga se tornava funcionária do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Das primeiras feministas brasileiras, representou o País na assembleia geral da Liga das Mulheres Eleitoras (1922, EUA). Ao retornar, encorpa a luta pelo direito feminino ao voto, criando a Federação para o Progresso Feminino. Ela se candidatou à Assembleia Constituinte de 34, mas só ocupou o mandato de deputada federal em 1936. Em um ano de atuação na Câmara, propôs mudanças na legislação trabalhista, igualdade salarial, licença-maternidade e redução da jornada de trabalho.

 

Leolinda (de Figueiredo) Daltro

Baiana, criou cinco filhos sozinha e foi uma professora feminista e indigenista. Em 1910, fundou o Partido Republicano Feminino - fundamental na luta pelo direito feminino ao voto. Um ano antes, organizou a Junta Feminil Hermes/Wenceslau, na campanha do marechal Hermes da Fonseca (1855-1923) à Presidência, para obter apoio na conquista do sufrágio. Tentou uma vaga na Assembleia Constituinte de 1934, mas não se elegeu.

 

Creuza do Carmo Rocha

(1897-1974) -casada com o jornalista e político Demócrito Rocha (1888-1943), fundador do O POVO (1928), está entre as primeiras cearenses que obtiveram o título eleitoral, em 1928 - ao lado de Carmelita Barcelos de Aboim. De personalidade forte, assim ela se definia, organizava tertúlias literárias em casa onde circulavam influentes homens públicos. Foi diretora-presidente do O POVO entre 1968 e 1974.

 

Carmelita Barcelos de Aboim

tinha 26 anos quando votou, em 1928. Na época, exercia a profissão de "auxiliar de gerência do jornal O Ceará", onde o marido, Alpheu Aboim, era redator-secretário. Participou da fundação do Comitê Feminino pró-Maurício de Lacerda, carioca que disputava a vaga de deputado federal pelo Ceará com o desembargador Moreira da Rocha.

 

Henriqueta Galeno

educadora cearense que viveu entre 1887 e 1964, é uma das pioneiras a difundir as ideias feministas no Ceará, no início do século XX. Ela estudou no Liceu do Ceará quando só eram admitidos homens - tornando-se, depois da formatura em Direito, a primeira professora da instituição. Atuou em movimentos culturais e políticos, defendendo a igualdade de gênero no acesso às profissões e em todos os âmbitos da vida econômica, política e social.

 

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