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Política é instrumento de protagonismo na juventude

O procurador do Trabalho entende que envolver jovens e adolescentes no debate político é fundamental para assegurar direitos sociais

00:00 | 09/09/2018

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Diante de cenário político dicotômico, há um desafio: garantir participação e efetividade democrática de adolescentes e jovens. De um lado, pessoas preferem se ausentar da participação política e, de outro, nunca se ouviu falar tanto em empoderamento e representatividade. Em busca de espaço de inclusão de novos votantes, foi relançado, após 16 anos, o projeto Saia do Muro - parceria entre Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), O POVO, Ministério Público do Trabalho (MPT-CE), Tribunal Regional Eleitoral (TRE-CE) e Associação para o Desenvolvimento dos Municípios do Ceará (APDM-CE). Antônio de Oliveira Lima, procurador do MPT-CE e representante da instituição na iniciativa, defende que a conjuntura política demanda de novos debates acerca da efetiva participação e inclusão democrática.

O POVO - São 16 anos de diferença entre uma edição e outra do projeto. O que pode ter mudado entre as gerações? Quais as principais diferenças, também, na conjuntura?

Antonio de Oliveira - Os temas que, em 2002, eram recorrentes e traziam uma grande preocupação e, talvez assim, um interesse de participação, mudaram em relação ao atual modelo político. Acredito que estávamos, naquela época, com uma possibilidade de mudança na questão política nacional. Naquele momento, percebeu-se que o projeto Saia do Muro possibilitou que vários jovens entrassem nesse debate. Esse projeto é importante porque traz essa motivação.

Todos somos seres políticos, mas, muitas vezes, é importante que haja engajamento. O contexto do atual momento realmente é diferente, a gente sai de um período em que a gente passou por um impeachment, que tem toda uma discussão política, partidária e ideológica, esse embate político está bem partidarizado, e se formaram grupos que têm essas opiniões e que de certa forma afastaram muita gente dos debates. Ficou muito no debate da partidarização. O mais importante é ver o que nos interessa estar debatendo neste momento. Se o que nós mais lutamos é pela democracia, faz parte da democracia o direito de as pessoas terem opiniões diversas e pensarem diferente. Isso ficou muito acirrado. O que precisamos é sair desse embate ideológico partidário e pensar no que interessa para a sociedade. A política pública interessa. Eu não posso, em razão de excessos que possam existir de um lado ou de outro, deixar de participar, porque se eu digo que não quero discutir política vou ser governado por quem gosta. Por isso, é importante estimular a participação.

OP - Como o senhor acha que esse estímulo, essas ações podem potencializar o protagonismo da juventude dentro da política?

Antonio - Como nós temos algumas ações de participação e protagonismo na área dos direitos da criança e do adolescente, temos percebido bastante envolvimento dos jovens quando eles são chamados a debater. E nós acreditamos que, no debate da política, isso aconteça também. Como eu disse, sem partidarismo, mas, pensando se, dentro das propostas, quem for eleito vai decidir pelo que me interessa. As lutas pelos direitos da sociedade, pelo bem comum, pelos direitos da criança e do adolescente... A gente está, inclusive, com uma campanha que chama Vote pelos Direitos. Estamos dizendo para esse eleitor prestar atenção se os candidatos defendem os direitos que são relevantes para a sociedade. Me parece que envolvê-los (os adolescentes e jovens) nesse debate fortalece, sim, o protagonismo na medida em que faz um link entre o debate da plataforma política do candidato e o que você pensa a respeito desses direitos.

OP - De acordo com dados da plataforma do Unicef U Report somente 51% dos participantes disseram saber o que eram as eleições diretas, o que representa um afastamento do interesse pelas discussões políticas por parte dos jovens. Ao mesmo tempo que temos um discurso forte de empoderamento e representatividade. Como mediar esse tema e reduzir essa dicotomia?

Antonio - São dois movimentos. Quando tem 51% dos adolescentes e jovens que não sabem o que são eleições diretas, a gente tem que questionar se isso foi discutido na escola. A gente teve um movimento mais recente chamado Escola Sem Partido, que é a ideia de que na escola não pode debater política, religião e nada que não esteja no livro. Como as pessoas vão entender o que é democracia se tem alguém dizendo que a escola não pode debater isso? Esse indicador aponta para um problema de que o debate não está sendo feito pela escola e, além de não estar sendo feito de forma correta, ainda tem uma corrente que defende que não deve ser feito. Aí fica pior. Por outro lado, tem um movimento forte de interesse e participação, é esse o outro percentual que está preocupado, que sabe que nossa sociedade tem problemas e não se conforma com isso. Todos estamos insatisfeitos, mas, quem está disposto a mudar a realidade? Esse movimento é dos dispostos. É sair do muro das lamentações e ir para o mundo das transformações. O que a gente precisa pensar, então, são estratégias de multiplicar esse grupo.

OP - E quais podem ser?

Antônio - A que a gente tem utilizado é a dos comitês (Comitê Nacional de Adolescentes e Jovens pela Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil). Quando eu tento fazer um debate político social entre alunos em sala de aula, às vezes não flui muito porque ali estão todos no mesmo contexto, todos se conhecem no dia a dia. Às vezes um tem vergonha de falar pelo que o outro vai dizer. Mas, quando eu proponho que a sala escolha dois alunos que a represente, essas pessoas já chegam com o compromisso de representar aquele grupo. Aí o debate se aprofunda. Então, a estratégia é ter participação e representatividade. Quem está debatendo deve sair de um coletivo e representar os interesses e as demandas desse grupo. Esse representante, então, volta com o compromisso de multiplicar, porque quem adquire o conhecimento reparte. A ideia é: se eu vim de um coletivo que me empoderou eu também preciso empoderar outros.

OP - Temos ainda questões sociais. O Ceará é o estado com maior número de adolescentes mortos no País, de acordo com dados divulgados em outubro pelo Unicef. Como discutir política pode transformar realidades como esta?

Antonio - É muito importante a gente fazer esse link entre a questão política e as questões sociais da violência de jovens que são os mais atingidos nessas estatísticas assustadoras. Para fazer com que isso traga, de fato, mudança e transformação, eu acho que a gente tem que fazer o debate para além do período eleitoral. É certo que nós conseguimos fluir um pouco mais o debate político neste momento de eleição, mas ainda precisamos fortalecer essas discussões no pós-eleição, que é o momento mais importante. Temos uma dificuldade ainda nessa questão da cobrança e monitoramento das políticas.

Outra questão que a gente vê é que a participação social, o poder social é pouco exercitado em termo de pautar a política. O poder econômico é bem eficiente, mas o poder social não tem conseguido.

Em momentos de crise econômica, por exemplo, onde se corta? No orçamento social. Não se corta no orçamento econômico. E esse poder tem conseguido pautar a política tanto na eleição quanto na cobrança desse dia a dia. O poder social tem sido muito disperso, difuso, dividido. A sociedade precisa compreender melhor os problemas e cobrar soluções a partir das causas dos problemas e não na remediação.

OP - O senhor tem forte protagonismo nas questões dos direitos da criança e do adolescente, principalmente no que diz respeito ao combate à exploração do trabalho infantil. Como isso impacta no protagonismo juvenil?

Antônio - Eu tenho visto como um caminho de mudança, porque, quando a gente consegue sensibilizar as pessoas em torno de um problema, elas conseguem perceber e ao mesmo tempo avançar um pouco para mostrar possibilidades de solução. Quando envolvemos adolescentes, isso traz para eles comprometimento, consciência e fortalecimento da participação coletiva. Traz às pessoas a compreensão de que elas precisam umas das outras, que precisam de parceria, e isso gera o desejo de participação, porque eu vejo significado na minha participação. Me vejo como autor da história.
 

Frases


"O que precisamos é sair desse embate ideológico partidário e pensar no que interessa para a sociedade. A política pública interessa"

"Eu não posso, em razão de excessos que possam existir de um lado ou de outro, deixar de participar, porque se eu digo que não quero discutir política vou ser governado por quem gosta. Por isso, é importante estimular a participação"

EDUARDA TALICY

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