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As razões de quem vai votar por opção

|Voluntários| No Ceará, mais de 100 mil jovens entre 16 e 17 anos têm título de eleitor e decidiram votar em 2018

00:00 | 02/09/2018

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O jovem eleitor cearense, aquele que não tem obrigação de votar, ainda acredita na política, se enxerga como atuante, reconhece seus cenários e as demandas que o cercam. Em meio à desesperança que rodeia as Eleições 2018, 112 mil adolescentes cearenses entre 16 e 17 anos resolveram ter título eleitoral. Afinal, são eles quem mais sofrerão, no futuro, as consequências das decisões políticas de hoje.

 

O POVO conversou com meninos e meninas que vão às urnas em outubro e descobriu que, para além de partidos, há muita consciência sobre como os candidatos eleitos podem interferir em quem eles são. O autorreconhecimento enquanto mulher, jovem, pobre, negro e gay os levam a compreensões precisas e articuladas acerca da atuação política. "Uma característica da política brasileira é um fechamento a novos atores, com baixa oxigenação. Os jovens então começam a se mobilizar, pelo desejo de ser verem representados ali", analisa o cientista político Clayton Mendonça Cunha Filho.

 

Os dados que identificaram os mais de 100 mil eleitores adolescentes são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e colocam o Ceará em terceiro no ranking nacional. Atrás apenas de São Paulo (172.308) e Minas Gerais (112.340). Para Clayton, seria preciso ter mais dados demográficos e de caráter qualitativo para mensurar com maior precisão quais segmentos ideológicos e políticos seriam fortalecidos. 

 

"O grande rechaço da política vem da juventude, do desejo de mudança", pondera.

 

A adolescência, onde se inserem os jovens de 16 e 17 anos, é uma fase onde as interrogações imperam. Quem sou? O que quero ser? Qual mundo desejo? Nesses questionamentos, de acordo com a psicóloga Sabrina Matos, aqueles que compõem minorias ou segmentos socialmente atingidos, podem se sobressair. "Querer se mostrar, ser visto como ele é. Um jovem consciente de que precisa sair do individualismo para pensar no coletivo", analisa.

 

Votar pode refletir uma busca de identidade, que não deriva necessariamente da influência dos pais. "Isso numa cultura que dita as normas, de dispositivos, inclusive políticos, que imperam na sociedade. Em que poucos param para pensar porque faço isso, porque sou assim. Votar é uma possibilidade de mudança", pondera a psicóloga.

 

"Ainda há políticos decentes"  

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Um documento importante, oficial. Assim descreve o título de eleitor a estudante Cláudia Caroline de Sousa Almeida, 17. O amadurecimento, os professores, a informação a fizeram pensar mais sobre o que o título possibilita. "Tinha o pensamento comum, de que o Brasil não vai para frente e nossos direitos vão acabar. Não é mentira, mas também não é totalmente verdade", afirma. Mas ao ver leis que eram discutidas e aprovadas e os impactos que elas poderiam causar no seu cotidiano, Cláudia se estimulou a "buscar e querer" acompanhar a política.

 

Os jornais são sua principal fonte de informação. "Saber que aquele candidato votou em um projeto bom ou ruim", destaca, referindo-se ao que lhe é relevante no contexto político. Cláudia repete uma das frases que tentam motivar a consciência do voto: "se você não gosta de política, será governado por quem gosta". Para a menina, o conhecimento é a única coisa que não se tira de um indivíduo. "Eu argumento, digo que, sim, ainda pode haver candidato que queira fazer a coisa certa. Tento colocá-los para pensar, mostrando que política é isso".

 

A arte como motivação 

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Foi a televisão quem mostrou a possibilidade de Karl William Silva do Nascimento, 17, votar sem precisar ir ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). A avó, que exerce seu direito de voto aos 77 anos, é seu maior exemplo de que voto não necessariamente é obrigatório. É no palco do teatro onde ele encontra sua maior motivação para entender a política, fazer parte dela e cobrar o que for necessário. "Para mim, jovem negro e de periferia, vejo que a segurança e a educação, dependendo das eleições deste ano, podem ir ladeira abaixo. Ou podem decolar", pondera.

 

A arte que faz parte da vida há seis anos ensinou Karl a questionar. E a se interessar pelo interesse do público. A consciência coletiva reverberou para a busca de direitos, como pessoa e como artista. "Não se faz teatro sem o público. O público pensa, é político e quer saber o que o ator pensa também. É o momento de falar que eu sou isso e você, público, quer me ver, me ouvir. O teatro é uma questão de manifesto", detalha. Karl questiona as ações que derivam dos políticos, como aquelas em que se constrói o espaço da arte, mas não a impulsiona. "Para além da estrutura é também preciso educação".

 

Educação, futuro e política 

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"Eu quero cursar Direito e preciso que a política me deixe chegar até lá", diz Ingrid Alves da Silva, 17, explicando o porquê da decisão de votar. Ela acredita que o eleitor precisa ter certeza acerca dos planos do seu candidato, porque será a partir deles que o futuro, seu e dos outros, será definido. Futuro que, para Ingrid, está pautado pelo estudo, pelo profissionalismo e pelo diploma. "Como sou de escola pública, preciso que meu direito de chegar lá seja garantido", argumenta.

 

A descrença política que o Brasil vive, para Ingrid, se arrasta há anos. E, segundo defende, a melhor forma de reverter essa situação é pesquisar, se informar e não deixar se enganar "por tudo o que os políticos dizem". Tentar ir na contramão dessa falta de esperança que acaba predominando. "Meus pais, meus avós, já dizem que ninguém presta e acabam não votando ou dando o voto para qualquer um. Eu gosto de conversar com meus professores, assistir a debates, saber quem são e onde estiveram os candidatos", destaca a jovem eleitora.

 

A necessidade da saúde  

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A vida, as necessidades, a comunidade, a saúde. Quando pensa na efetividade do seu voto, Wesley Barbosa pensa nas ambulâncias quebradas, na falta de medicamentos, nos problemas do atendimento médico. "A questão da política com a saúde é que realmente vejo que estamos abandonados na saúde pública", diz. 

 

Fazer o título de eleitor foi uma forma de intervir nisso, com um pouco de curiosidade para saber como um processo eleitoral funciona.

Processo que Wesley já identifica como desorganizado e desrespeitoso. "Ficam uns rindo dos outros, muitos faltam aos debates ou às entrevistas. Achando que não precisam dar satisfação alguma às pessoas", analisa. O candidato "ideal" é pautado pela transparência e deve ter como prioridade, segundo ele, os desejos e os problemas da população. "No momento só tenho candidato à presidência, pois ainda estou estudando e analisando os históricos dos outros", afirma.

 

O eleitor do futuro 

 

Um programa desenvolvido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Ceará, desde 2015, tem a missão de mudar a consciência sobre o voto. O Eleitor do Futuro, que formulou parcerias com escolas e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), tem como eixo o incentivo ao voto, com qualidade e participação política efetiva. "Grêmios, lideranças de classes, grupos artísticos. a política não se restringe só à eleição. Discutir política é trazer os desafios e os problemas da juventude", explica o coordenador da Escola Judiciária Eleitoral, Humberto Cavalcanti.

 

Essa é a estratégia para chegar de forma mais efetiva aos adolescentes: abordar assuntos e realidades vivenciadas por eles. 

 

Saber o que eles querem, o que questionam, quais mudanças propõem. Humberto destaca ainda o projeto Saia do Muro, do qual o Grupo de Comunicação O POVO participa. "Estamos percorrendo as escolas e o mote é esse. O problema muitas vezes está nos políticos, mas a solução está na política", destaca.

 

No Ceará, a insistência do TRE em levar experimentações e informações aos jovens podem justificar os números da pesquisa do TSE. Fazer eleições estudantis em urnas eletrônicas é uma das estratégias. Foram 60 mil estudantes, entre 2017 e 2018, exercendo cidadania com os recursos de votação do TRE. "Eles ficam pelo menos curiosos para saber como funciona".

 

Didático 

 

O "Livro do Educador", que serve de instrumento para a formação dos jovens eleitores, auxilia o educador em sua missão principal de incentivar os jovens à maior participação política.

 

Cidadania na sala de aula 

 

Em sala de aula, o projeto Eleitor do Futuro se concretiza através da matéria Educação para a Cidadania. O objetivo é levar formação a jovens entre 12 e 17 anos, "transformando-o num cidadão crítico diante da sociedade onde ele está", afirma a professora da Escola de Ensino Médio de Tempo Integral (EEMTI) Telina Barbosa da Costa, Fátima Nascimento. Conforme ela, há muita resistência política, muitos alunos enxergam a política apenas do ponto de vista partidário.

 

"E aí vem as discussões, porque cada um defende um político ou um partido. E o intuito é mostrar exatamente que política não são só esses vínculos", explica a professora. O projeto, ainda no início, teve como tema da primeira aula os direitos humanos, pautado pelos próprios alunos. O próximo passo será discutir a formação dos partidos, a construção de suas ideologias. E depois, em sala, deverá ser formado um processo eleitoral. Mais uma forma de experimentar.

 

O resultado, de acordo com a professora, só deverá ser sentido em um ou dois anos. Fátima reconhece que, entre os alunos, as questões raciais, de gênero e sociedade se sobressaem. "Nos últimos anos a escola viveu uma abertura maior em relação a essas questões. O grupo de teatro da escola é muito forte, exatamente por motivar a aceitação deles do jeito que são", avalia.

 

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