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A disputa invisível pelo voto

|DISTÂNCIA| Com a polarização nas eleições presidenciais, os eleitores admitem estar prestando pouca atenção nas candidaturas para deputado estadual

00:00 | 23/09/2018

Na chegada a Praça do Ferreira, em horário de almoço, é possível ver algumas poucas pessoas entregando panfletos nas portas dos estabelecimentos que a circundam. Alguns dos transeuntes pegam os papeis apressados, outros passam direto pelos militantes. O desinteresse reflete-se na fala de alguns entrevistados pela reportagem do O POVO, que parecem ainda estar se familiarizando com a campanha.

 

"A campanha mesmo em si está bem devagar não é? A gente quase não vê muita coisa aqui na cidade. Começaram muito tarde, porque nós já estamos nas vésperas das eleições", afirmou a bibliotecária Celina Lúcia Camurça, 55. 

 

O aposentado Assis Martins, 75, disse que o entusiasmo ficou para trás. "Não sei se é porque a gente vai ficando velho, já viu eleições melhores. Não só pelo nível dos candidatos, mas pelas coisas como estão hoje em dia", resumiu.

 

Quando indagados se já tinham candidato para deputado estadual, a resposta era quase sempre a mesma: ainda não. Mas, por quê? "Os votos para deputado são sempre decididos nos momentos finais da campanha. O voto para presidente costuma ser o primeiro, vindo os outros às vésperas da eleição", explica o professor de teoria política da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Emanuel de Freitas.

 

Com a disputa pela Presidência da República mais acirrada e com algumas reviravoltas mudando o quadro político a cada semana, além dos eleitores mais polarizados entre os candidatos mais bem colocados nas pesquisas eleitorais, a campanha por uma vaga na Assembleia Legislativa tem passado despercebida pelos eleitores.

 

"Eu percebo o eleitor muito mais preocupado com a (eleição) majoritária do que com a proporcional. Eu tenho feito uma construção para que eles compreendam que a eleição proporcional, mesmo nós estando num país presidencialista, é tão importante quanto as majoritárias", acredita o deputado estadual Moisés Braz (PT), candidato à reeleição .

 

Deputado estadual pelo Psol, Renato Roseno não acredita que o eleitor esteja prestando mais atenção na disputa pelo cargo. "Eu esperaria que sim, mas ainda é a campanha presidencial que mobiliza os ânimos dos brasileiros", declara. Para ele, o desânimo também é uma prova do desgaste do modelo de democracia vigente no país. "A democracia representativa tem sido questionada em todo mundo e, obviamente, a demanda da sociedade é de maior participação popular, maior controle sobre o estado", aponta.

 

Candidatos a deputado que não estão exercendo mandato político na Assembleia discordam do efeito negativo da polarização. Integrante do partido do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), Delegado Cavalcante (PSL) acredita que a ideologia tem contribuído para colocar as candidaturas da coligação à qual pertence em evidência. "Em todos os municípios do estado foram criadas as frentes de direita, elas estão polarizando muito para votarem nos candidatos do PSL. Está sendo uma organização natural, diferente da política que se pratica no Brasil", assegura.

 

Outra linguagem

 

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