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Salto quântico da humanidade

00:00 | 22/07/2018

 

JOSÉ JÚLIO MARTINS TÔRRES

jjmtorres@gmail.com

Doutor em Psicologia e professor da Unifor

 

DANIELE VASCONCELOS FERNANDES VIEIRA

daniele.vieira@uece.br

Professora de Medicina da Universidade Estadual do Ceará

 

É tempo de dialogar sobre humanidade, impulsionar saltos quânticos, estimular a vida no Presente, consciente, ativa, nutrindo a esperança por dias melhores, por experiências de vida mais felizes, sintonizadas com um propósito superior. Afinal, somos seres integrais e transdimensionais. É premente nos perguntarmos se haverá um futuro para a humanidade sem que haja mudanças necessárias e urgentes nas dinâmicas humanas, na integração entre os saberes, na interação com a natureza, nas concepções do que seja ciência com desenvolvimento e progresso.

 

No universo do microcosmo, as partículas subatômicas se comportam em saltos quânticos, mudando de camada. Observa-se que no âmbito atômico, as estruturas são dissipativas, como no caso do carbono, que, numa estrutura hexagonal plana, forma o grafite, mas, numa estrutura piramidal tetraédrica, forma o diamante. Importa conhecermos essa inter-relação entre as realidades, demonstrando que para o nosso macrocosmo, em especial no âmbito dos indivíduos, dos grupos e da sociedade, tais “saltos quânticos” também acontecem.

 

Nas Ciências, podemos perspectivar o olhar sobre a vida e o salto quântico da humanidade sob a transição e ampliação das lentes dos paradigmas: da simplicidade (o todo é igual à soma das partes), em que predomina a linearidade e a separatividade das partes, sem considerar os relacionamentos – reducionismo da parte; do holismo (o todo é maior do que a soma das partes), que se contrapõe ao da simplicidade, em que predomina a superioridade do todo sobre as partes, sem considerar, às vezes, nem partes e nem relacionamentos–reducionismo do todo; dos sistemas (o todo pode ser maior ou menor do que a soma das partes), uma síntese dos dois anteriores e, em que predominam os relacionamentos entre as partes, porém, com componentes, regras e limites previamente estabelecidos, e aos quais o sistema deve seguir e respeitar criteriosamente; da complexidade que é um “abraço quântico” dos três anteriores e, em que predomina a Realidade Fractal, que é um processo dialógico complexo (o todo é maior e menor do que a soma das partes, ao mesmo tempo), pois, cada parte é um todo que está contido e que contém o processo de âmbito mais amplo e, além disso, não tem limites estabelecidos, e os componentes e as regras de relacionamento, mesmo que sejam previamente estabelecidos, podem ser modificados e transformados ao longo do tempo.

 

Experimentemos no cotidiano a abertura que a visão transparadigmática nos proporciona, façamos um transcurso pelas dinâmicas humanas, promovendo nossos saltos para vivermos com plenitude as nossas dimensões subjetivas e imprescindíveis para uma nova realidade singular e coletiva, como a criatividade, a inovação, a transcendência, a liberdade da emergência, contemplando, também, a incerteza, a imprecisão, a não-linearidade, o não-determinismo, a não-preditibilidade e, até mesmo, o paradoxo, e ainda, a sintonia e a sincronicidade. Essa é a semente que precisamos plantar.

 

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