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Ideias que dão certo. O que as companhias querem?

| TIME FORTE | Executivos, investidor e consultor falam dos principais pontos para alavancar uma startup no concorrido mercado brasileiro

00:00 | 22/07/2018



Inovação é palavra de ordem quando se trata de investimento em startups. Mas a forma como esse conceito deve ser apresentado e desenvolvido ainda deixa empreendedores confusos, sendo a conquista de capital um dos maiores desafios de quem está começando. Segundo o presidente da consultoria de inovação e aceleradora Kyvo, Hilton Menezes, ter uma excelente ideia de negócio não basta. O consultor explica que, mais que uma proposta interessante, as startups precisam ter um time forte e capaz de colocar o projeto em prática.

 

“O time que tem a capacidade de executar. Precisa ter habilidades complementares. Ser multidisciplinar”, afirma. Para ele, por mais enxuta que seja a equipe, é preciso ter pelo menos uma pessoa que domine tecnologia e outra que entenda de mercado. Ele também observa que a apresentação da proposta deve ser certeira, mostrando primeiro que entende o problema, para então vender a solução.

 

No segundo ano de programas de aceleração, a Visa, por exemplo, busca startups que ajudem a desenvolver soluções de pagamento. Os selecionados recebem até R$ 205 mil de investimentos indiretos e passam um mês no Vale do Silício (EUA) com tudo pago. “Primeiro ponto é a proposta da startup e se ela vai resolver um problema latente no mercado. O outro é ver se o time vai conseguir desenvolver e entregar esse compromisso”, destaca a gerente de inovação da Visa, Beatriz Montiani.

 

Empresas como o Google e o Facebook, que já foram startups, hoje também investem nesse tipo de negócio no Brasil. Ambos possuem espaços em São Paulo dedicados a profissionais que buscam inovação. “Estamos de olho em startups inovadoras, com times talentosos e diversos desenvolvendo produtos excepcionais, e cujos negócios estejam em estágio de crescimento. Temos especial interesse na aplicação de tecnologias como soluções mobile, inteligência artificial, machine learning e tecnologias para mercados emergentes com alto potencial de impacto na vida de milhões de pessoas”, afirma André Barrence, diretor do Campus São Paulo do Google, que tem programas semestrais.

 

Na Estação Hack do Facebook, dez startups participam de programa de aceleração. Após um longo processo de seleção, elas representam setores que vão da saúde à contratação de serviços domésticos. “Selecionamos empreendedores que lideram negócios que utilizam inteligência de dados em soluções com objetivo melhorar a vida das pessoas. Os negócios devem possuir protótipos desenvolvidos, ao menos em fase de testes, ou produtos estruturados e lançados no mercado”, diz Eduardo Lopes, diretor da Estação Hack.

 

Presidente do fundo SP Ventures, especializado em investimento do setor de agronegócios, Francisco Jardim observa que é importante já ter um projeto em andamento, que se prove capaz de desenvolver e ser rentável. Diferentemente da Corporate Venture, o chamado Venture Capital compra parte de ações de empresas iniciantes e espera que ela se valorize para repassar essas participações a preços mais altos. O investimento costuma ter prazo mais longo que os de empresas que apoiam startups.

 

“Quando você faz 20 ou 25 investimentos, você já faz com intuito que quatro ou sete vão dar certo. É um risco calculado. O motivo de fazer tantos investimentos é justamente para diversificar o risco. Mas é um risco controlado e precificado”, explica.

 

Um dos segredos, portanto, é se mostrar promissor e demonstrar para o investidor que sua ideia vale o dinheiro e a paciência dele. Quem conseguir atingir esse patamar pode receber aportes milionários. Na SP Ventures, por exemplo, os cheques são de quantias a partir de R$ 1 milhão. Mas a concorrência é enorme. Somente no agronegócio o número de startups cresceu 150% nos últimos dois anos, aponta o Censo AgTech Startups Brasil, estudo da Universidade de São Paulo (USP) e AgTech Garage.

 

"Quando você faz 20 ou 25 investimentos, você já faz com intuito que quatro ou sete vão dar certo. É um risco calculado”

FRANCISCO JARDIM

Presidente da SP Ventures 

 

"O time que tem a capacidade de executar. Precisa ter habilidades complementares. Ser multidisciplinar”

HILTON MENEZES

Presidente da Kiwo

 

"A crise permitiu que a gente só ganhasse força. Grande empresa querem reduzir custos. As startups ajudam com desafios propostos para elas resolverem. Passaram a ser parceiras das grandes empresas e não concorrentes”

RAFAEL RIBEIRO

Diretor-executivo da ABStartups

 

“Avaliamos o potencial de impacto social da solução, escalabilidade e o perfil dos empreendedores. Após a seleção de dez startups a cada ciclo de aceleração de seis meses, os empreendedores são desafiados a formatar modelos de negócio e refinar o próprio impacto social em um ambiente de cocriação e colaboração com outros empreendedores e mentores”

EDUARDO LOPES

Diretor da Estação Hack do Facebook

 

“A Visa também foi acelerada nesse processo todo. Temos algumas frentes de projetos estratégicos que são considerados startups dentro da própria Visa. O modus operandi de startups foi incubado dentro da companhia”

BEATRIZ MONTIANI

Gerente de inovação da Visa 

 

Com o Campus São Paulo, conhecemos milhares de empreendedores com diferentes problemas, objetivos e formas de criar soluções. Com isso, eles trazem diferentes necessidades e feedbacks para os experts dentro do Google, o que certamente nos ajuda a aprimorar tecnologias que já oferecemos para empresas e até mesmo descobrir necessidades que sequer imaginávamos”

ANDRÉ BARRENCE

Diretor do Campus São Paulo do Google 

 

APLICATIVO

A empreendedora Larissa Lima foi uma das que se beneficiaram por meio do programa da Casa Azul Ventures. Com a ajuda dos sócios Gabriel Gurgueira e Bruno Raniery, ela criou o Mercadapp, aplicativo que realiza compras e entrega de produtos de supermercados.

 

 

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