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Elas faturam mais

| LEVANTAMENTO | De acordo com a The Boston Consulting Group, para cada dólar investido, startups de mulheres rendem US$ 0,78 contra US$ 0,31 dos homens

00:00 | 22/07/2018

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A participação de mulheres no mercado de startups ainda é minoritária, como em diversos setores de tecnologia e ciências exatas. No entanto, pesquisa do The Boston Consulting Group (BCG) revela que as iniciativas fundadas por elas faturam mais que aquelas criadas por homens. De acordo com o levantamento, para cada dólar investido, startups de mulheres rendem US$ 0,78 contra US$ 0,31 dos homens. O estudo indica ainda que elas têm mais dificuldades para conseguir aportes financeiros e, por isso, precisam se esforçar ainda mais nas apresentações de projetos e resultados.

 

No Brasil, um exemplo de sucesso é a única sócia brasileira e mulher da startup unicórnio (com valor de mercado acima de US$ 1 bilhão) do NuBank, emissora de cartões de crédito sem anuidade. Mãe de uma menina, Cristina Junqueira, de 34 anos, teve de investir do próprio bolso, assim como os outros dois sócios, para tirar o projeto do papel.
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Para Marina Bedê, criadora da startup de kits para mães e bebês Caixa da Cegonha, os incentivos para mulheres são poucos. A empreendedora admite que, em segmentos como maternidade, infantil e moda, elas até conseguem mais receptividade do mercado, mas sabe que mulheres podem se destacar em qualquer área de atuação se tiverem oportunidades.

“Acho que as mulheres podem contribuir priorizando consumir produtos e serviços de empresas gerenciadas por outras mulheres. E atualmente já existem alguns grupos de mulheres que são mães e se ajudam nessa área do empreendedorismo”, afirma.

 

A fundadora da startup de pagamentos unificados Boletão, Ariane Pelicioli, diz que não ter sofrido assédio ou intimidação por ser mulher no ambiente das startups. “Só algumas piadinhas de vez em quando, que a gente tira de letra e mostra que não está aqui para brincadeira. O trabalho obstinado e o sucesso são o principal chamariz para atrair outras mulheres a uma posição criativa, inovadora e empreendedora como a nossa”, relata. Ela criou a empresa com duas sócias, Aline Santiago e Fernanda Zerbin, que conheceu em eventos para startups.

 

Ainda que seja desafiador, o ambiente das startups tem se apresentado democrático em algumas regiões. Em desvantagem em trabalhos fora de casa, as mulheres do mundo árabe têm conquistado espaço cada vez maior no segmento. Uma em cada três startups são gerenciadas por eles, de acordo com o Fórum Econômico Mundial. A média é mais alta que no Vale do Silício (EUA).

 

Conforme a gerente dos Princípios de Empoderamento Econômico da ONU Mulheres Brasil, Adriana Carvalho, 74% das meninas têm interesse em ciência, tecnologia, engenharia e matemática. “Mas o fato é que apenas 30% das pesquisadoras do mundo são mulheres”, lamenta.

 

Pesquisa

A ONU Mulheres Brasil aponta que o público feminino está fora de boa parte dos postos de trabalho gerados pela revolução digital. Só18% das mulheres têm graduação em Ciências da Computação. Representam 25% da força de trabalho da indústria digital.

 

 

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