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Corrida presidencial. Centrão pode fortalecer Alckmin

| ALIANÇA | A atração de partidos aliados para a candidatura pode ser fator decisivo em uma disputa eleitoral imprevisível para analistas e para a própria classe política

00:00 | 22/07/2018


Disputa eleitoral não funciona como receita de bolo. Os ingredientes, apoio partidário e tempo de televisão, não são suficientes para um sucesso nas urnas — mas fundamentais para tornar uma candidatura competitiva, no mínimo.


Disputando pela segunda vez a presidência da República, Geraldo Alckmin (PSDB) chega, em 2018, diferente de como disputou em 2006. Desde Fernando Henrique Cardoso (PSDB), as candidaturas tucanas apresentam estrutura partidária e pontuação promissora nas pesquisas de intenção de voto.


Levantamento feito pelo Ibope, de junho deste ano, coloca o ex-governador de São Paulo estagnado nas pesquisas com apenas 4% da preferência do eleitorado. No mesmo cenário, Lula (PT) tinha 33%, Jair Bolsonaro (PSL) na sequência com 15%, Marina Silva (Rede) com 7% e Ciro Gomes (PDT) também com 4%.


O deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA), que integra parlamentares do chamado Centrão — que se mostra inclinado a oficializar apoio ao paulista — diz acreditar no crescimento do tucano por ser a candidatura que “representa melhor os valores do povo brasileiro”. “Não tenho dúvida (do crescimento). A campanha não começou ainda. Ele é o candidato mais equilibrado”, disse o parlamentar ao O POVO.


Tentando minimizar a consequência política da adesão do grupo à candidatura de Alckmin, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, falou à reportagem que “não se perde aquilo que não tinha”, em referência à tendência de os partidos não fecharem com Ciro Gomes (PDT).


“(Os partidos) Voltaram para o leito natural. Nunca esperava que eles viessem para o nosso lado. Eles que demonstraram interesse, e na democracia a gente conversa com todo mundo”, disse o ex-ministro do Trabalho. Para contrapor a vitória parcial do tucano, o pedetista disse que a candidatura concentra forças no apoio do PSB e espera definição do PCdoB sobre o nome de Manuela D’Ávila.


O anúncio do fortalecimento da candidatura do ex-governador paulista acabou reverberando na esquerda. Em sua conta no twitter, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que tentará a reeleição, admitiu que “o PSDB respira” no período de ajustes para a disputa. “Apesar de Alckmin patinar em todas as pesquisas, conseguiu anunciar uma aliança com a base parlamentar de apoio ao governo. É o candidato herdeiro legítimo do golpe contra a democracia e do governo Temer”, alfinetou a simpatizantes.


Como resposta ao avanço do PSDB, legenda tradicionalmente adversária do PT em todo o território nacional, Gleisi Hoffmann, que preside a legenda, afirmou que o plano do ex-presidente Lula é conversar “com o povo”, e não com o mercado financeiro.


“O nosso pressuposto é sempre ter responsabilidade fiscal com responsabilidade social. Nós já governamos o País. Todo mundo sabe como trabalhamos as contas públicas e nós temos que falar com o povo, e não com o mercado”, reafirmou Gleisi.


Em aceno em direção ao PSB, Gleisi afirmou que o partido não fará um embate direto com o governador Márcio França (PSB), pré-candidato à reeleição em São Paulo. Ela negou, no entanto, um acordo para abrir mão da candidatura de Luiz Marinho na corrida estadual. “Nosso embate aqui é com o Doria e com o Skaf, com essas figuras. Se tivéssemos uma aliança com o PSB agora, a possibilidade de estarmos juntos no segundo turno (em São Paulo) seria muito grande”. (Wagner Mendes) 

 

Isolados


Enquanto Geraldo Alckmin (PSDB) está prestes a anunciar o apoio dos partidos do Centrão, legendas como PDT, PCdoB, PT, PSL e MDB, que têm candidaturas, seguem isolados. 

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