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A semana. Trump, Putin e a russofobia americana

00:00 | 22/07/2018


O ENCONTRO ENTRE os presidentes Donald Trump e Vladimir Putin na última semana em Helsique deu o que falar. Os dois tiveram um encontro privado de pouco mais de duas horas. Putin chegou atrasado, deixou Trump a esperar. Acabada a reunião, o americano defendeu que os russos não tinham inferido nas eleições de 2016, em que foi eleito. A fala contradisse meses de investigação de autoridades americanas que chegaram a acusar 12 agentes russos de participação no esquema de manipulação de informações durante a campanha.


O discurso pró Putin está longe de ser o pior de Trump. Não chega ao top 10 de seus piores momentos, das maiores asneiras que já disse.

Sequer foi uma fala de ataque, como as que proferiu antes, como aquelas que ofendiam nações e populações inteiras com comentários generalistas calcados no preconceito. Mesmo que não tenha sido tão ruim assim, em termos de absurdos, essa foi uma das poucas vezes que ele teve de se corrigir. Foi à televisão, deu uma declaração oficial, bastante mecânica e claramente forçosa de que havia se “expressado mal”.


O episódio sugere que há um preceito nos Estados Unidos que aparenta ser mais forte que aqueles de respeitar as mulheres, aceitar imigrantes como colaboradores da nação e garantir a liberdades de expressão e religiosa. Esse sentimento é a aversão à Rússia. Décadas depois do fim oficial da Guerra Fria, esse tema ainda é delicado e exige passos lentos até mesmo de Trump, que gosta de pensar em si como disruptor do status quo. .

ISABEL FILGUEIRAS

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