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2018. O ano da eleição que ninguém sabe como termina no país

| INCERTEZAS | É, nos últimos anos, a campanha com mais indefinições no horizonte, a começar pelos diferentes problemas que cada uma das candidaturas apresenta. Quais os efeitos futuros de toda a situação? É o que se discute nas próximas páginas

00:00 | 22/07/2018
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O cenário de indefinição na corrida ao Palácio do Planalto tem assombrado as movimentações partidárias e dificultado as conversas para a formalização das alianças. Se por um lado, o pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, reagiu e atraiu os partidos do chamado Centrão, por outro precisa crescer nas pesquisas para confirmar a aposta das siglas que sustentaram o governo de Michel Temer.


Enquanto isso, Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede), que pontuam bem nas pesquisas, seguem isolados, sem tendência clara de formação de apoios. Com a candidatura lançada, Ciro Gomes (PDT), que vem no segundo pelotão da preferência do eleitorado, ainda não angariou a simpatia da esquerda e segue na sombra do Partido dos Trabalhadores.


Em meio ao clima de imprevisibilidade, o especialista político da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Paulo Baía, reflete que “existem duas apostas para as eleições presidenciais de outubro.

Uma acredita que os eleitores vão se definir ao assistirem a propaganda eleitoral na televisão no curto período de campanha e, quanto maior for a minutagem de exposição dos candidatos, melhor”.


Nessa primeira aposta, destaca o especialista, Geraldo Alckmin (PSDB), Ciro Gomes (PDT), Henrique Meireles (MDB) e o candidato do PT disputariam as duas vagas para o segundo turno. “Nesse cenário, também, quanto maior for o “não voto” (abstenção, nulos e brancos) melhor para os candidatos do PSDB e do PT. Essa aposta está ancorada nos resumos eleitorais de 1989 até 2014 e acredita que a polarização PT x PSDB vai se reproduzir em 2018 com Alckmin e Lula ou seu substituto de última hora”, continua Baía ao alegar ainda que essa perspectiva também aposta no financiamento via fundo eleitoral e máquinas partidárias clientelistas.


Segundo Baía, a segunda aposta acredita em um novo potencial eleitoral via marketing digital e em redes tipo WhatsApp, Facebook, Twitter e Instagram. Nessa segunda perspectiva, ressalta, estão Jair Bolsonaro, do PSL, e Marina Silva, da Rede. “O Marketing digital não foi testado nas urnas brasileiras, e o resultado das eleições de 2014 e 2016 não servem para uma avaliação mais contundente da eficácia eleitoral do Marketing digital no resultado final dessas eleições”, diz.


O professor acredita que com Lula presente nas urnas, terá no segundo turno uma vaga para o petista - no modelo convencional de propaganda eleitoral via televisão e máquina partidária - e a segunda vaga com Bolsonaro, via marketing digital e em rede.


“Sem Lula na cédula eleitoral, o que é o mais provável, teremos Jair Bolsonaro em uma vaga via digitalização e publicidade em rede e uma segunda vaga a ser disputada em igualdade de possibilidades pelos demais candidatos”, diz.


Para o professor de Ciência Política do Ibmec/MG, Adriano Gianturco, é cedo para prognósticos e o mais sensato é aguardar 15 de agosto, último dia para registro de candidaturas, para se ter um cenário mais consolidado.


Gianturco, no entanto, prevê que o candidato Jair Bolsonaro (PSL) deverá receber mais votos do que as pesquisas apontam porque os eleitores “se envergonham de admitir (nas pesquisas de intenção de voto) que votarão nele”. O especialista lembra que o mesmo cenário ocorreu na eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos, e no Brexit, no Reino Unido.


O professor revela a previsão explicando que as pesquisas de opinião, geralmente, são feitas em grandes centros urbanos, como as regiões metropolitanas. “Os pequenos centros não são consultados. Lá, Bolsonaro pode ser mais forte”, prevê.


O especialista apontou ainda a inclinação do chamado Centrão para o ex-governador de São Paulo como algo previsível, já que havia poucas opções para o grupo. “Eu acho que, do ponto de vista deles, fizeram a escolha mais sensata. As escolhas eram Bolsonaro, Ciro ou Alckmin. Ciro é considerado imprevisível. Eles basicamente não o apoiaram por esse motivo. Bolsonaro é similar”, concluiu.
  

NÚMEROS


12 nomes podem, até 5 de agosto, ser confirmados como candidatos presidenciais.

 

15 é o último dia de agosto para o registro das candidaturas. 

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WAGNER MENDES

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