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"Você tem que ajudar os outros a serem melhores também"

00:00 | 10/06/2018

HENRI GAEL, 18, encontrou na música caminhos outros para percorrer Foto Mateus Dantas
HENRI GAEL, 18, encontrou na música caminhos outros para percorrer Foto Mateus Dantas
 

A música embalou a infância de Hanri Gael, 18 anos, saxofonista da Banda do Piamarta. O pai, que é músico da noite, dos barzinhos, de festas de casamento, foi seu primeiro professor, ensinando-lhe triângulo para o filho lhe acompanhar a sanfona, até ele iniciar os estudos no Piamarta Aguanambi. Aos 8 anos, porque a mãe, merendeira escolar, pediu ao maestro, Hanri já era um dos caçulas da turma da Banda e “atravessava a Cidade pra vir estudar”.

A família morava na Sapiranga, do lado contrário, e Hanri vinha de ônibus, sozinho. Um caminho longo, também por si mesmo, que ele não se cansa de refazer. “Se não fosse a Banda, eu não seria a pessoa que sou hoje... Me formou como uma boa pessoa, um cidadão de bem”, relaciona. Os ensaios também eram (são) sobre cumprir compromissos e “honrar o papel de humano. Olhar pras pessoas e vê você nas pessoas”, atenta o saxofonista. Na Banda, ele convive, há alunos de personalidade difícil que, aos poucos, “percebem o quanto é fundamental sermos pessoas de bem e que não tem lado bom em ser ruim. E as amizades influenciam a ser diferente, a ser melhor”.

Dessa maneira, a música foi ganhando mais significados para Hanri: “Eu creio que as nossas vidas é como pintar. E a música, pra mim, é o lápis de cor. Sem música, a minha vida é preto e branco, chata, monótona”. Há dez anos participando da Banda do Piamarta, Hanri reconhece que a realidade também é um ensaio exaustivo, sempre por recomeçar e aperfeiçoar. O pai lhe conta sobre as dificuldades desse mercado de trabalho, mas Hanri planeja a formação em Música. “A música me escolheu e eu tenho que continuar com ela, para ela continuar comigo, entendeu?”, contrapõe.

Com a música, ele experimenta certa felicidade. “As apresentações são sempre incríveis. Todo dia, tem o ensaio, pelo menos uma hora. E você fica um pouco saturado, às vezes. E, quando chega na apresentação e todos os integrantes colocam o melhor de todos os ensaios, receber os aplausos é a coisa mais gratificante que existe. Porque a gente conseguiu. A sensação de missão cumprida é a melhor que existe”.

Do palco, Hanri avista outros mundos e histórias semelhantes à sua. Venceu muitos impossíveis que imaginava haver, como tocar jazz: “Eu já sei fazer e vou buscar mais. Esse desejo de querer mais sempre se renova”. E se sente pronto para a guerra própria da vida: a luta de cada dia, “de correr atrás, trabalhar, estudar, fazer dar certo”.

 

Este ano, o saxofonista tem se transformado em professor de iniciação musical e cuida para que nenhuma canção possível da vida se perca. “Aqui é passado que somos insubstituíveis e que nunca somos melhor, sempre há alguém à frente da gente. Então, a gente sempre tem que buscar mais. E tem que ser junto, você tem que ajudar os outros a serem melhores também. A minha geração prepara uma nova geração. E essa nova geração prepara uma outra geração. E assim vai”.

Ana Mary C. Cavalcante