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Guilherme Theophilo: de general a alternativa tucana nas eleições

| ELEIÇÕES | Até março comandante de logística do Exército, o general possui histórico com as Forças Armadas que vai muito além dos 45 anos de serviço

00:00 | 29/04/2018

ELISA MAIA/ALEAM
ELISA MAIA/ALEAM
“O Theophilo é um cara sério, fechadão.” A sentença, frequentemente repetida entre colegas de Exército, ajuda a descrever o general da reserva Guilherme Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, recentemente alçado pelo PSDB a pré-candidato ao governo do Ceará. A esse perfil, no entanto, há outra frase constante: “É extremamente competente”.

Até março comandante de logística do Exército, o general possui histórico com as Forças Armadas que vai muito além dos 45 anos de serviço. Filho do general de brigada Manoel Theophilo Gaspar de Oliveira Neto, o pré-candidato pertence a uma das mais tradicionais famílias do Exército, com atuação desde o Império e direito a “regalias” na Força.

Ao todo, seis dos oito filhos do general Manoel Theophilo seguiram carreira militar. Dois membros da família – o próprio patriarca e um dos irmãos de Guilherme, este já aposentado – receberam até autorização especial de Walter Pires, ministro do Exército no governo do ditador João Figueiredo, para uso de barba em serviço, o que é vedado aos demais militares.

Único dos irmãos nascido fora do Ceará, o carioca Guilherme também foi comandante militar da Amazônia e do antigo 10º Grupo de Artilharia de Campanha (GAC), em Fortaleza. Com cursos de paraquedismo, possui mais de 15 condecorações militares. Fora do Exército, fez especialização em Administração Pública e pós-graduação em Engenharia de Sistemas.

Entre antigos colegas de Exército, a pré-candidatura de Guilherme foi recebida com “bastante surpresa”, até pelo perfil reservado do general. Segundo eles, havia expectativa em torno de uma candidatura de Manoel, irmão do pré-candidato mais ativo politicamente e de perfil mais carismático. Quadro de saúde dele, com problemas cardíacos, teria pesado contra.

Os colegas afirmam, no entanto, que é conhecida no meio militar a competência de Guilherme no trabalho. Eles destacam, a título de comparação, que em uma turma de 300 cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras, apenas 30 chegam ao primeiro posto de general. Deste total, só quatro viram generais de Exército, cargo que o tucano exercia.

Como comandante militar da Amazônia, o pré-candidato do PSDB atuou para aumentar parcerias entre as Forças Armadas e o empresariado local. Por conta disso, recebeu diversas homenagens da Federação das Indústrias do Amazonas. Como articulista do jornal “Diário do Amazonas”, assinou coluna semanal que tratava de assuntos do Exército até política.

Nos textos, o general demonstrou diversas vezes posições em sentido conservador. Em uma das colunas, se disse “decepcionado” com visita do papa Francisco a Cuba. “O espantoso dessa visita é que o papa não fez nenhuma crítica aos Castro (...), nenhuma demonstração de apoio àqueles que lá vivem e sofrem sérias restrições. Como católico, fiquei decepcionado!”.

Na mesma coluna, de 2015, ele critica propostas como a da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ) pedindo remoção de homenagens a líderes da Ditadura em praças e ruas. “Alguns políticos de ocasião, ligados a guerrilheiros do passado, têm lançado projetos para trocar personalidades que lutaram para evitar o comunismo e garantir a democracia”, diz.

Deixando a ativa em março deste ano, o pré-candidato tucano escolheu o Aquartelamento General Tibúrcio (AGT), em Fortaleza, como a sede de uma de suas “despedidas”.  

CARLOS MAZZA