PUBLICIDADE
VERSÃO IMPRESSA

A semana. Por que os estados unidos atacaram a Síria?

00:00 | 15/04/2018

LOUAI BESHARA/AFP
LOUAI BESHARA/AFP
OS MOTIVOS DO ATAQUE dos Estados Unidos, França e Inglaterra à Síria vão além de um suposto, mal explicado e sequer investigado, uso de armas químicas em civis nos arredores de Damasco. Aliás, questiono-me sobre essa decisão, no mínimo burra, do presidente sírio Bashar Al-Assad de usar gás sarin na população. Sabendo ele que esse tipo de estratégia já lhe causou prejuízos, ataques e ameaças do Ocidente no passado, por que arriscar uma campanha que tem sido bem sucedida? Avaliando por vários ângulos, o governo sírio estava em vantagem no conflito nos últimos meses. Recuperou territórios importantes, derrotou focos terroristas e agora domina mais de 90% do País. Desde o início do conflito, ainda em 2011, a influência dos Estados Unidos tem sido menor que o de costume, ofuscada pela presença russa. Donald Trump faz um discurso quase que esquizofrênico. Ora convida Vladimir Putin para uma visita a Washington. Ora decide atacar seu principal aliado árabe.

Mas não sem antes avisar que o faria. Sem o elemento surpresa, houve tempo para que os ditos elementos químicos fossem realocados. A notificação também serviu para evitar fatalidades.

Uma prioridade para os aliados tem sido não causar morte de civis e militares, sobretudo russos. Portanto, o alvo desse ataque, que mais serve como uma mensagem, é o público americano, parceiros na região, o Congresso e a indústria armamentista. Foi a maneira que Trump encontrou de justificar o aumento significativo do orçamento militar e mostrar, para seus eleitores e para o mundo, que ainda dá as cartas na política internacional.

Isabel Filgueiras CORRESPONDENTE EM SÃO PAULO