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2 dedos de prosa com Rodrigo Barroso

00:00 | 01/04/2018

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“O DESAFIO DE FAZER O INESPERADO NOS FOMENTA”

 

Rodrigo Barroso, 34 anos e José Eduardo Amaral, 41 anos, entraram para o Hall da Fama das Ultramaratonas Aquáticas. Eles participaram do desafio “Do Leme ao Pontal”, no Rio de Janeiro, que como o próprio nome diz trata-se de uma travessia a nado da praia do Leme até a pedra do Pontal, na praia da barra, num percurso de 36 km, criado em 2008. Até então apenas três nadadores tinham conseguido realizar o feito. Eles se revezaram de hora em hora no mar entre as 23h20min do dia 17 de março e as 10 horas do dia 18. Enfrentando marés contrárias e mudanças de temperatura da água durante todo o percurso, estiveram acompanhados pelo fisioterapeuta Alexandre Coen, que os seguiu em um barco. Os dois amigos se conheceram por causa da natação e concluiram o projeto idealizado há mais de um ano.

 

O POVO: De onde surgiu a vontade de tentar o desafio?

Rodrigo Barroso: A decisão foi tomada em novembro de 2016. Eu comecei a fazer as ultramaratonas aquáticas, o José Eduardo ficou com interesse nesse tipo de prova e começou a pesquisar algumas. Descobriu essa (Do Leme ao Pontal). Inicialmente o projeto seria com mais dois nadadores conosco, mas por questões de saúde ambos tiveram de desistir em meados de maio, então continuamos só nós dois. Além disso, ano passado eu já me tornei um recordista em distância nadada em águas cearenses, com percurso do Iate Clube ao Cumbuco, que dá 35km e 612 metros, praticamente a distância da prova no Rio, só que de forma solo.

 

O POVO: Qual a preparação necessária para encarar esse tipo de prova?

Rodrigo Barroso: É uma preparação física bem exaustiva. A gente nada de 5km a 8km por dia, podendo a chegar 15km no fim de semana. Como a gente nada no mar, com corrente contra, já se prepara para as condições da prova. O segundo passo é uma preparação psicológica, de entender que aquele momento vai ser adverso e que de uma em uma hora vai passar (por causa do revezamento). Tinham momentos, por causa da maré alta, que eu via o barco acima de mim e isso é complicado, então a cabeça tem de estar boa para você não desistir.

 

O POVO: Por que começar numa prova dessas no período noturno?

Rodrigo Barroso: A noite tem uma maré contrária, com correnteza sul-sudeste e isso impossibilita a nossa chegada na pedra do Pontal, não conseguiríamos fazer a curva nela. (começa a noite para chegar ao pontal pela manhã e não encarar as condições descritas).

 

O POVO: Qual o passo maior que esse?

Rodrigo Barroso: A gente almeja chegar no Canal da Mancha. O projeto é para 2020.

 

O POVO: Quais as diferenças para a prova do Rio?

Rodrigo Barroso: Principal diferença é a temperatura de água. O canal da mancha tem uma quantidade de águas-vivas bem maior no caminho, a maré também influencia muito, por conta de nadar em mar aberto. Vamos pegar o estreito de Dover a Calais, na França, e cruzar transatlânticos, o que causa uma marola grande. É um percurso de 35 km, mas já teve nadador que chegou a nadar 54km, só para se ter uma ideia da influência da maré.

 

O POVO: O que inspira vocês?

Rodrigo Barroso: O próprio desafio de fazer o inesperado nos fomenta.

 

Por

Brenno Rebouças

REPÓRTER

 

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