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Sinhá D'amora. A história de uma artista

00:00 | 25/02/2018

ACERVO Sinhá D'Amora deixou uma obra vasta espalhada pelo mundo LIA DE PAULA, EM 19/11/2004
ACERVO Sinhá D'Amora deixou uma obra vasta espalhada pelo mundo LIA DE PAULA, EM 19/11/2004
A relação entre o escritor Amora Maciel e a pintora Sinhá D’Amora - explica Olavo Correia, sobrinho da artista - é de um amor cheio de cumplicidade. Logo após o casamento, ela embarcou para o Rio de Janeiro onde realizou estudos na Escola Nacional de Belas Artes. O marido, segundo Olavo, era um entusiasta do ofício e do talento da esposa, colaborando com o custeio das viagens e das estadias. 

Divulgação
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Em 1949, ela foi morar na Itália para cursar graduação na Academia de Belas Artes de Florença. Lá, explica Dimas Macedo - escritor e integrante da Academia Cearense de Letras -, conheceu nomes importantes das artes plásticas, incluindo Pablo Picasso, e cursou a também a Universidade de Estudos de Línguas e Artes e o Centro di Cultura per Stranieri. Logo depois, o destino foi Paris, na França, onde Sinhá D’Amora frequentou a conceituada Acadèmie de la Grand Chaumière.
RAFAEL CAVALCANTE, EM 20/07/2011
RAFAEL CAVALCANTE, EM 20/07/2011
 

Dimas, que é autor do livro Lavrenses Ilustres, traçou correspondências com a artista. “Sinhá D’Amora tinha uma conversa vivaz e agradável. Era acolhedora e carinhosa”, diz o escritor, que frequentou as famosas “rodas de chá” oferecidas semanalmente pela artista na década de 1990, quando ela residiu em Fortaleza. 

 

“Foi casada com o escritor Amora Maciel, da Academia Cearense de Letras, mas sempre se mostrou livre e decidida diante dessa relação. Preferiu não ter filhos e se dedicou à sua arte e aos seus intercâmbios nacionais e internacionais sempre com muita liberdade. Não se deixou aprisionar pelas convenções sociais”, diz Dimas. 

Ela morreu em 1º de dezembro de 2002, aos 96 anos, no Rio de Janeiro, onde residia à época. Pouco antes, diz Olavo Correia, passou uma temporada em Fortaleza para estruturar o acervo que tornou-se o memorial. Dimas destaca o trânsito livre que a artista teve por escolas e tendências, sem perder os traços de fidelidade ao Ceará. “Mesmo com seus quadros expostos em galerias e museus da Europa e da América Latina, tinha um amor muito grande pela sua terra”, diz. (Isabel Costa)

 

BATE-PRONTO

RAÍZES CEARENSES 

Túlio Monteiro - escritor, crítico literário e autor do livro Sinhá D’Amora, ensaio biográfico da Coleção Terra Bárbara 

O POVO - Como era a relação de Sinhá D’Amora com o Ceará? 

Túlio - Sinhá D’Amora nunca negou suas raízes! Pelo contrário, há muitos quadros dela que retratam suas lembranças de infância e parte da mocidade vividas no Sítio Olho D’ Água, onde ela nasceu no sopé da Serra do Boqueirão, às margens do Rio Salgado nos arredores de Lavras da Mangabeira. Divulgou com afinco, durante seus 96 anos de vida, a cultura de nosso estado de maneira aguerrida. Era uma cearense que nunca relegou sua terra natal mesmo quando estava em temporadas no exterior. Isso era uma marca cultural profunda em Sinhá D’Amora. OP - Sinhá D’Amora foi inovadora? Túlio - Foi, sim, inovadora em todos os aspectos para sua época. Além de ser uma artista cearense, nascida no interior de Lavras da Mangabeira, foi única no modo de criar suas telas. Deixando-nos uma obra extensa que se espalhou por todo o Brasil e parte dos outros continentes. Seu estilo de pintura foi inovador para o tempo em que começou a produzir, pois fugiu do lugar-comum graças às técnicas aprendidas.