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O passado condena e o futuro assusta

01:30 | 28/01/2018

AS FACÇÕES CRIMINOSAS se fortaleceram no Ceará enquanto autoridades comemoravam a redução dos índices de criminalidade. Eram reflexo evidente de pactos entre elas para evitar conflitos. Nesse intervalo, elas se organizaram, armaram, arregimentaram adeptos e organizaram uma economia interna. Quando a trégua terminou, o número de homicídios bateu recorde.


O governo assistiu no passado à ascensão das facções e não parece saber o que fazer para contê-las agora.


Grupos criminosos ditam regras de comportamento e ação em comunidades de praticamente toda a periferia de Fortaleza. O horror desencadeado neste sábado nas Cajazeiras é demonstração de força de um dos miniestados paralelos que se constituíram.


O que houve foi o horror e a perspectiva é sombria. Pois, certamente é de se esperar reação do grupo que foi alvo. As forças de segurança hão de estar em alerta. A resposta, porém, pode não ser imediata. Assim como disse o secretário André Costa sobre o que houve nas Cajazeiras, o revide tende a ser organizado, planejado.


Se não for contida, a disputa entre facções tem potencial para se tornar uma guerra urbana, para além das fronteiras às quais esteve até hoje restrita, onde corpos mutilados, decapitados, carbonizados e esquartejados não causam comoção suficiente para merecer reação.


Fortaleza atravessa situação de emergência na segurança pública. O crime nunca havia dado tamanha demonstração de força. O futuro preocupa.


Érico Firmo

EDITOR DO O POVO ONLINE

 

GABRIELLE ZARANZA

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