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O fetiche do cinema negro

01:30 | 28/01/2018
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Além da falta de espaços nas salas comerciais, cineastas negros enfrentam outros cerceamentos do ponto de vista do conteúdo e da forma. É o que aponta a diretora Ana Julia Travia, que apresentou seu filme Outras na Mostra de Cinema de Tiradentes deste ano. Segundo a realizadora, a indústria e os festivais criam expectativas sobre os temas. “Existe uma expectativa de como o negro deve falar sobre racismo e talvez isso dê um fetiche para o que se considera cinema negro”, aponta, questionando: “Se os realizadores quiserem falar de outros assuntos será que as curadorias vão selecionar esses filmes?”


Ela afirma ter ouvido, em sua trajetória profissional, a “ideia preconceituosa” de que os trabalhos filmados por negros têm certa “cara”. “Já esperam um filme mais barato, com problemas técnicos, é como se dissessem ‘olha que engraçadinho eles tentando!”.


A realizadora Bárbara Maria, do filme Pele de Monstro, elabora ser preciso ter liberdade para filmar o assunto que quiser e como quiser, sem que haja esse peso em torno da raça de quem realiza. Para ela, ao eleger racismo como assunto, é importante pensar outras formas de comunicar o tema. “Quando a gente fala de racismo, tem que falar de um jeito que outras pessoas que não são afetadas por isso entendam, porque falar só para quem sofre a mesma coisa que você não adianta muito, a pessoa já sabe”, contrapõe.


 

 

GABRIELLE ZARANZA

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