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Lula. O impacto da condenação na política cearense

| ELEIÇÕES 2018 | A provável ausência de Lula dos palanques, resultado esperado da condenação confirmada na 4ª, terá efeitos no Ceará? O POVO foi atrás da resposta junto a analistas e políticos

00:00 | 28/01/2018
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A condenação do ex-presidente Lula em segunda instância não terá repercussão direta imediata na política cearense. Ao menos, imediatamente. O desenrolar dos episódios partidários de impacto na eleição estadual se dará conforme decisões nacionais do Partido dos Trabalhadores (PT) ainda a serem conversadas e oficializadas com a esquerda. O entendimento é de cientistas políticos que conversaram com O POVO.
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Com forte ligação entre os irmãos Ferreira Gomes, o governador Camilo Santana (PT) não sofreria diretamente com o impedimento de Lula para a disputa de outubro. Ultimamente, inclusive, o chefe do Executivo estadual tem ganhado o capital político do ex-presidente ao participar de atos, como o da última quarta-feira, 24, em São Paulo, após decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª região.
 

A socióloga da Universidade Estadual do Ceará, professora Monalisa Soares, avalia que o governador é sustentado eleitoralmente pela força dos ex-governadores Cid e Ciro Gomes, e que a participação do ex-presidente não foi determinante na eleição do petista em 2014.
 

“A candidatura de Camilo foi costurada com Lula, mas, evidentemente, é bancada pelos Ferreira Gomes. A força do lulismo com os Ferreira Gomes se aproxima em alguns momentos. É difícil dizer qual a força de um e de outro. O impacto será entendido a partir de quais serão os próximos caminhos que o PT vai tomar”, argumenta.
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A pesquisadora do Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia (Lepem) não crê em prejuízo para o governador com a possibilidade de impedimento de Lula ser candidato ao Palácio do Planalto. “O Camilo vai ser candidato à reeleição pelo PT, mas a gente sabe que o Ciro Gomes é pré-candidato à presidência, que inclusive espera pegar boa parte desses votos que seria do Lula. E ele também endossa a candidatura do Camilo”,  lembrou Monalisa.


O cientista político da Universidade de Fortaleza, professor Clésio Arruda, avalia que os acordos partidários irão “depender do cenário nacional” mesmo que haja, muitas vezes, os “pragmatismos locais”. Segundo ele, Lula, mesmo impedido de ser candidato, será utilizado como um forte cabo eleitoral.
“Há uma cultura brasileira que favorece claramente as pessoas que aparecem na condição de vítima. Esse elemento pode gerar uma grande onda Lula. Essa variável vai ser muito forte. Como isso vai ser trabalhado, vai ter um grande peso”, avalia o pesquisador.

WAGNER MENDES

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