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Experiência RIOgaleão. Um aeroporto reformulado para as olimpíadas

| GESTÃO | Em agosto de 2014, a RIOgaleão assumiu o Aeroporto Internacional Tom Jobim e teve como missão transformar o equipamento por meio de melhores produtos e serviços

00:00 | 28/01/2018

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ADAILMA MENDES

adailmamendes@opovo.com.br


O Aeroporto Internacional Pinto Martins já está sob gestão da concessionária Fraport desde o dia 2 de janeiro. O próximo passo é ver que mudanças a empresa fará no terminal. Dentro de experiência similar – de repasse da administração de um aeroporto da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) para grupos privados – está o Aeroporto Internacional Tom Jobim, que O POVO visitou em dezembro de 2017, a convite da concessionária RIOgaleão, composta por Odebrecht Transport, Changi Airports International e Infraero.


Algumas mudanças estruturais e na forma de oferecer serviços no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro chamam a atenção e podem dar uma ideia do que é possível também no terminal da Capital cearense. Investimentos em automação, ampliação de áreas e parcerias com marcas locais e internacionais para a venda de produtos e oferta de serviços são alguns exemplos.
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Após dois anos de concessão, a partir de agosto de 2014, foram construídos uma nova área de embarque (o Piér Sul), com mais de 100 mil metros quadrados e 26 pontes de embarque adicionais (totalizando 58); mais quatro andares no Edifício Garagem, totalizando sete pavimentos para estacionamento no RIOgaleão; e um novo pátio de aeronaves de 260 mil metros quadrados (totalizando 760 mil metros quadrados de pátio). O Terminal 2 foi modernizado e um novo Centro de Operações, implantado. A soma do investimento é de R$ 2 bilhões. A previsão é de um investimento total da concessionária de R$ 5,2 bilhões no aeroporto ao longo dos 25 anos de concessão.
 

A área da Dufry, no embarque internacional, dobrou de tamanho e ainda tem divisão por bairros conhecidos do Rio de Janeiro, como Copacabana e Ipanema. Marcas cariocas, como a Farm, e os restaurantes Confeitaria Colombo e Palaphita, também estão no aeroporto. Como atrativo para levar o passageiro à Cidade Maravilhosa, a empresa Ticket Center também detém unidade no desembarque do Terminal 2 já com a venda de tíquetes para conhecer atrações turísticas do Rio, como Pão de Açúcar e Cristo Redentor.
 

Um dos grandes desafios para a concessionária, segundo Patrick Fehring, diretor de Desenvolvimento Estratégico e Cargas do RIOgaleão, foi assumir o compromisso da concessão em meio a uma crise econômica no País. “Outro desafio foram as Olímpiadas. Existia uma concessionária antes e outra depois das Olímpiadas”. De potencial, o executivo espera que o aeroporto cresça ainda mais como porta de entrada para o País. 

 

 

 

Mais opções de serviços e lazer
 

A área comercial tem 45 mil m² para lojas e restaurantes totalizando mais de 150 pontos de compras e gastronomia e cerca de 300 marcas locais e internacionais com grifes que traduzem o lifestyle carioca, como na foto da área do embarque internacional. No início operacional do RIOgaleão, em 2014, a área comercial era de 10 mil metros quadrados.  

 

 

Modernização das operações
 

O RIOgaleão detém a solução BCBP (bar-coded boarding pass), permitindo que portões automáticos sejam acionados por leitores de código de barras dos cartões de embarque (impressos ou em dispositivos móveis). Os passageiros contam também com os eGates, os portões eletrônicos que fazem a leitura automática do passaporte e a biometria facial do passageiro de voos internacionais. Entre as ofertas de novas experiências aos passageiros estão sete salas VIP. Três delas são da Plaza Premium Lounge, empresa de Hong Kong. A marca possui, ainda, hotel de trânsito (Aerotel) e um SPA (Wellness). Executivos têm interesse em negociar com a Fraport.   

 

Quem vivencia o RIOgaleão
 

O empresário carioca da área de tecnologia Ricardo Valadares vê a mudança ocorrida no Aeroporto Internacional do Rio. Foi surpreendido por um estacionamento mais barato do que estava pagando antes (hoje, R$ 16 a hora) a partir da ampliação do espaço. “Antes, tínhamos de três a quatro opções de lugares de alimentação, hoje são mais de 50”, acrescenta. A única coisa que Valadares comenta, questionando o sucesso do empreendimento, é o baixo número de aeronaves que vê nos fingers (pontes de embarque e desembarque). Conta que em sua última viagem (Rio – Orlando – Rio) só viu sua própria aeronave no embarque. 

 

 

QUAL É O SEU AEROPORTO IDEAL?
 

MAIS INFRAESTRUTURA
 

O administrador cearense, João Batista, 52, mora há 31 anos em Itapecerica da Serra, São Paulo. Todos os anos, vem com a esposa e filhos passar as férias junto à família cearense. Para ele, o aeroporto ideal precisa de muitas lojas de conveniência. “Aqui (Fortaleza) precisa de melhorias para os passageiros”. 

 

RECEPÇÃO CORDIAL


A historiadora Terezinha Hoegen, 50, veio a Fortaleza passar sete dias de férias com o esposo Josué Hoegen, 48. O casal de Joinville-SC passeou por várias praias cearenses, como Jericoacoara e Morro Branco. No Aeroporto, sentiram falta de uma estrutura maior. “Mas também não adianta ter uma grande estrutura se não tiver bom atendimento, simpatia. Aqui, vocês tem isso”, diz Terezinha. 

 

MAIS SERVIÇO
 

O advogado baiano Gilvan Antunes, 33, viaja a trabalho pelo menos quatro vezes por mês. Frequenta os aeroportos de São Paulo, Salvador, Brasília e Curitiba. Para o aeroporto ideal, considera importante uma gama maior de serviços, como restaurantes e livrarias. “Praticamente um shopping dentro para passar o tempo quando há conexões mais demoradas”.  

 

O SONHO DE VIAJAR DE AVIÃO
 

O pequeno Nicolas Medeiros, 6, olha admirado as decolagens e pousos dos aviões no aeroporto Pinto Martins. “Ele nunca viajou de avião, mas tem muita vontade”, diz a mãe, Vânia Medeiros, 34, cabeleireira. Junto com o filho, foi deixar uma amiga que embarcou para São Paulo. “Ele sempre sobe aqui (no segundo piso) para ver os aviões. Fica maravilhado”, destaca Vânia.

GABRIELLE ZARANZA

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