VERSÃO IMPRESSA

Confronto das ideias. Rebaixamento

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que a decisão da Agência de Classificação Internacional Standard & Poor's de rebaixar a nota do Brasil teve pouco impacto sobre os indicadores econômicos. Afinal, o rebaixamento pode dificultar o crescimento da economia brasileira?

00:00 | 28/01/2018

 

SIM


Não tem como não respeitar o rebaixamento do rating. Não podemos simplesmente achar que isso não vale nada e não tem influência na economia de um País. Se rating não valesse nada não existiria há tanto tempo. Rating não é algo novo, a Moody’s por exemplo, lançou nos EUA suas primeiras classificações de risco em 1909. A Standard & Poor’s já tem mais de 150 anos!.


Do ponto de vista estritamente conceitual, um rating de baixa classificação aumenta a sensação de risco (possibilidade de default) e pode interferir no crescimento econômico na medida que aumenta o risco País e consequentemente os juros exigidos pelos investidores para aplicar em títulos públicos e privados. O aumento dos juros para atrair esse investidor, acarreta no aumento da dívida pública complicando mais ainda a situação fiscal do País, isso sem falar que o mesmo acontece com as empresas de capital aberto, que precisam lançar títulos de dívida para geração de funding para seus investimentos.


No curto prazo, o rebaixamento do rating não vai levar o País a uma hecatombe, até mesmo pelo excesso de liquidez na economia mundial, o nível de reservas internacionais do Brasil e os bons indicadores microeconômicos, como juros e inflação.

Mas é um sinalizador que algo precisa ser feito de forma mais célere, principalmente no lado da frágil situação fiscal e o consequente aumento da dívida pública que alcançou R$3,55 trilhões em 2017. No fim de 2016 a dívida estava em torno de R$3,11 trilhões, um aumento de 14,15% em um ano. 

 

José Maria Porto
jmporto@valorizeconsultoria.com.br
Economista e consultor empresarial

 

NÃO

 

O terceiro rebaixamento do rating do Brasil reflete as preocupações que todos têm em relação ao nosso País, seja internamente ou externamente. O rebaixamento do rating pela Standard & Poor’s de “BB” para “BB-”, fazendo com que o País siga sem o selo de bom pagador, não foi surpresa para ninguém, a partir do momento em que o Congresso Nacional fez pouco caso em relação à reforma da Previdência. O atraso na aprovação de medidas fiscais que reequilibrem as contas públicas poderá levar outras agências de risco a seguir o mesmo caminho.


Em um primeiro momento, não há que se ter grandes preocupações com esse rebaixamento, pois já era esperado e, em economia, as expectativas precificam e antecipam os seus efeitos.


O fato de o Brasil estar com o seu crédito externo menos qualificado poderá afetar o custo de captação de novos empréstimos e financiamentos públicos e privados. Mas pouco influenciará nos principais indicadores da economia: inflação, taxa de juros e de câmbio, dentre outros.


A grande preocupação é com as incertezas devido às eleições de 2018, que poderão agravar o cenário atual das debilitadas contas públicas.


O atual Governo deve trabalhar para equilíbrar das contas, reduzindo o custo da máquina pública e tomando outras medidas que estão em pauta, como a reoneração da folha de pagamento de alguns setores e a taxação de fundos exclusivos que poderão ter que recolher IR, independentemente de amortização ou resgate de suas cotas.


A degradação das contas públicas é muito mais preocupante do que o rebaixamento do rating do Brasil pela S&P. 

 

Sérgio Melo
sergio.melo@smconsultoria.com.br
Economista e consultor empresarial

TAGS