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Cenário local. Todos querem ganhar com saída de lula

| ELEIÇÕES | Aliados e adversários de Lula atribuem para si vantagens políticas decorrentes da condenação do ex-presidente. A análise, porém, não é clara: todos podem ganhar ou perder

00:00 | 28/01/2018
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Condenação do ex-presidente Lula não vai gerar impacto somente nas eleições presidenciais. De forte popularidade e capital político no Ceará, o petista também deve influenciar os caminhos da disputa local, sobretudo da briga pelo Palácio da Abolição. Perdas e ganhos, porém, ainda não são claros: todo mundo, de aliados a adversários, articula-se para obter vantagens com a eventual saída de Lula da eleição.

[SAIBAMAIS]
Do lado dos correligionários do ex-presidente, a aposta é de que a “injustiça” cometida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) ao condenar Lula irá aumentar a solidariedade e a defesa popular ao Partido dos Trabalhadores. “O prestígio do PT só vai crescer porque o processo de perseguição está tão grave que, cada vez que batem no Lula, ele só cresce nas pesquisas”, aposta o deputado federal José Guimarães (PT).
 

Na linha do “Lula é o plano A, B e C” — estratégia do PT nacional de defender candidatura dele até “as últimas consequências” —, o parlamentar afirma que, junto com o ex-presidente, o governador Camilo Santana também só tende a crescer. “O PT está definidíssimo, é Lula e Camilo aconteça o que acontecer”, afirma.
 

O governador, aliás, que antes adotava postura indecisa sobre possibilidade de apoio a Lula ou ao aliado Ciro Gomes (PDT), tem dado sinais claros de aproximação com o líder petista nos últimos dias. Esteve presente em atos de São Paulo no dia 24 e na reunião do PT que reafirmou a candidatura do ex-presidente.
 

O POVO apurou que Camilo também teria participado de reunião fechada com Lula, ainda na noite do dia 24, para discutir planos eleitorais. Possivelmente, nova atitude é decorrente da análise de que ele tem mais a ganhar do que a perder ao assumir caráter “petista” em meio à crise.
 

Quem também espera ganho eleitoral com a situação é o PDT. O presidente nacional, Carlos Lupi, diz “não ter dúvida de que a saída de Lula fortalece a candidatura de Ciro”. No âmbito local, as vantagens podem se estender ao irmão, Cid Gomes, que pretende disputar vaga no Senado.
 

O deputado estadual Leonardo Araújo (MDB) minimiza o impactos da situação no cenário local. “A força do Lula não é mais decisiva, apesar de ele estar bem nas pesquisas”, afirma. Segundo ele, “o desenho da política do Estado já está definido”, com uma grande aproximação entre o presidente do Senado Eunício Oliveira (PMB) e Camilo e a candidatura de ambos à reeleição, um ao Governo Estadual e o outro ao Senado.  

 

Psol
 

O presidente estadual do Psol, Ailton Lopes, lamenta a condenação. “Está evidente que houve uma manobra, um uso político do judiciário”. Ele diz que a sigla continuará lutando “contra todos os golpes”, e que não vê “nenhum” ganho eleitoral. “O ganho, nesse caso, é só de quem não tem apreço algum pela democracia”.   

 

Quem ganha e quem perde com a condenação


Eunício Oliveira
 

REELEIÇÃO. O presidente do Congresso Nacional será prejudicado com o provável impedimento de Lula. Defendendo o nome do petista para presidente, o emedebista contava com o apoio do ex-presidente para reeleição.


Camilo Santana
 

ALIANÇAS. Declarações enfáticas mais recentes de apoio a Lula fortaleceram sua relação com o PT, hoje mais unido em torno de seu nome. Ganha, ainda, com os sinais de reaproximação dos petistas com Ciro Gomes.


Tasso Jereissati
 

PALANQUE. A ausência de Lula como candidato presidencial pode fortalecer a estratégia da oposição de montar um palanque para Geraldo Alckmin, que deve tentar pela segunda vez ser presidente da República.
 

Cid Gomes
 

CHAPA ELEITORAL. O ex-governador poderá negociar com maior chance uma aliança local entre PT e PDT para a disputa presidencial, mesmo com o irmão disputando o pleito. O impedimento pode ser ingrediente novo.   

LETÍCIA ALVES

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