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Aniversário. O pai dos supre-heróis

Cultura: Grande nome por trás da Marvel Comics e responsável por transformar o universo dos quadrinhos e do cinemas, Stan Lee chega esta semana aos 95 anos de idade

00:00 | 24/12/2017

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Como diria Ben Parker, tio de Homem-Aranha: “Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades”. Stanley Martin, conhecido como Stan Lee, o inventor do personagem e da frase, é um dos mais notáveis criadores de histórias em quadrinhos do mercado e foi responsável por apresentar grandes histórias e super-heróis na editora Marvel. Entre seus “filhos” estão Hulk, Quarteto Fantástico e outros. Na próxima quinta-feira, 28, Lee comemora 95 anos, como um dos principais nomes do entretenimento de várias gerações. 


Filho de um casal de judeus imigrantes da Romênia, Stan Lee nasceu em Nova

York (EUA), em 1922. Gostava de escrever e seu sonho quando jovem era trabalhar em um romance. Formou-se na escola aos 15 anos, trabalhou escrevendo obituários em jornais, entregando sanduíches e como lanterninha do Teatro Rivoli na Broadway. Ainda na adolescência, trabalhou para Martin Goodman na Timely Comics, que mais tarde se tornaria a Marvel Comics. Foi contratado em 1941 por Joe Simon, criador do Capitão América, para escrever a partir do terceiro volume do herói. Depois disso, criou Homem de Ferro, Thor, Doutor Estranho e outros. A habilidade de criar personagens marcantes lhe garantiu o apelido de “The Man” (O Cara).
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O jornalista Italo Nunes destaca que Lee criou os X-Men, Demolidor, Homem-Aranha e Pantera Negra com um foco de desenvolver identificação com o público. “Os quadrinhos por muito tempo foram algo para crianças, mas analise o contexto do Peter Parker: ele é um herói que salva constantemente Nova York e ainda se preocupa com a prova de física ou com a falta de dinheiro. Isso garante ao público uma identificação bem maior que os personagens da editora rival, a DC Comics, que tem um alienígena como herói (Superman)”. O mesmo acontece com os X-Mens, que sofrem preconceitos por causa de suas diferenças; com o Demolidor, um super-herói cego; e com o Pantera Negra, um dos primeiros personagens negros dos quadrinhos.
 

Desse modo, Stan Lee produziu mais de 300 personagens e 280 histórias. Isso garantiu que, em 1972, ele se tornasse o diretor da Marvel. Ser o rosto mais famoso da editora garante que ele seja, ainda hoje, convidado para participar dos filmes baseados nos seus heróis. “Para mim, é um privilégio ter nascido em tempo de acompanhar sua carreira. Ele não é só uma pessoa, é uma marca de uma geração que consome quadrinhos e cinema”, destaca Italo, acrescentando que já existem cenas gravadas com Stan Lee para filmes que ainda nem começaram a ser filmados.
 

O ator Luke Muniz comenta que o fato do autor possuir participações em filmes, jogos e séries da Netflix seja o resultado do trabalho de uma vida.  

 

“Muitas pessoas conheceram Stan por causa dos quadrinhos, já alguns fãs da geração atual, conheceram o quadrinhista por causa dos filmes”, diz. Para a leitora de quadrinhos Lara Albuquerque, Stan Lee oferece qualidades que a inspiram na vida real. “É muito bonito buscar inspiração em pessoas reais, como procuramos em Stan. Os seus personagens são virtudes que ele passa para nós”, comenta. Ela destaca que Stan, depois de se aposentar como contador de histórias, se reinventou como consultor dos quadrinhos e como personagem dos filmes adaptados dos heróis da Marvel. “Stan Lee pensou em como ser ativo nas gerações. Para qualquer artista, isso é inspirador”.
Outro lado da moeda
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Mas há também quem questione o valor de Stan Lee para o mundo dos quadrinhos. Rildon Oliver, podcaster e editor do site Cosmo Nerd, acredita que Stan sempre teve a alma de publicitário. “Quem trabalhava com quadrinhos sofria preconceito por trabalhar com crianças. Desse modo, Stanley Martin substituiu o seu nome para Stan Lee, em busca de evitar que, no futuro, ele fosse lembrado como alguém que só trabalhou com quadrinhos”, diz. Stan também trabalhou com desenhistas excelentes para o período de 1960, como Kirby, Steve Ditko, John Buscema e outros. Para Rildon, ele “se aproveitou” do talento dessas pessoas. “Ele criou o modelo Marvel, com histórias pequenas e com grandes desenhos. Consequentemente, todos os holofotes foram para Stan”.


Rildon comenta que vários artistas saíram da Marvel por causa de Stan, já que o autor criou uma persona publicitária, ao contrário de artística. “Jack Kirby foi trabalhar na editora rival, DC Comics, quando Lee assumiu a direção da Marvel. Isso fica mais latente para mim do quanto ele foi injusto. Ele também ficou conhecido por ter criado nomes e sobrenomes com iniciais iguais para os seus personagens, já que facilita a memorização. É um trabalho de gênio. Mas isso fez ele se sentir grandioso, majestoso, como diria o seu bordão: Excelsior!”, diz.
 

Gênio para uns, problemático para outros, Stan Lee popularizou um mercado que deixou ser de nicho, para ser de massa. 

 

LEE NA TELA

Veja algumas das aparições de Stan Lee nos filmes de super-heróis:

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O Julgamento do Incrível Hulk (1989) Lee fez sua primeira aparição em um filme da Marvel. Ele é um jurado no julgamento de Bruce Banner.

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Hulk (2003)
Lee aparece andando ao lado do ator que fez o Hulk na série de TV, Lou Ferrigno, que atua como segurança no laboratório de Bruce Banner.

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X-Men: O Confronto Final (2006)
Stan Lee vive um dos vizinhos de Jean Grey, vilã do filme. o quadrinista Chris Claremont também participa do longa
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Homem-Aranha 3 (2007)
Lee está lendo um boletim de notícias ao lado de Peter Parker, o grande herói da trama
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Thor (2011)
Stan Lee é o motorista da caminhonete que tenta arrancar o martelo de mágico do fundo da cratera.
 

Deadpool (2016)
Lee é o MC de um clube de striptease  

 


 

GABRIEL AMORA

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