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Miqueias. A história de um pequeno cearense que é fenômeno nos campos de golfe

Filho do operador de máquinas que cuida do gramado do Aquiraz Riviera, Miqueias Rodrigues, aos nove anos mira carreira no golfe

00:00 | 24/12/2017
Revelação

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De taco de golfe nas pequenas mãos firmes, o tímido Daniel Miqueias Rodrigues dos Santos, 9, estende os braços, fixa os olhos na bolinha branca, dobra levemente os joelhos e faz o swing com postura digna de profissional, girando o pé miúdo calçado com tênis improvisado. Num segundo, a bolinha vai longe.

[SAIBAMAIS]

Taco e Miqueias são velhos conhecidos, apesar da pouca idade do menino. Se contar o tempo em que o instrumento de jogo era um cabo de vassoura e a bola era de gude, já são seis anos. Hoje, o garoto ocupa o 4º lugar na categoria na Brasil Kids Golf Tour, um dos principais torneios infantis do País.


Filho de uma dona de casa e de um operador de máquinas, o menino começou no esporte de forma inusitada. Eduardo Rocha dos Santos, 34, o pai, trabalha ajeitando o gramado do campo de golfe do Aquiraz Riviera, na Região Metropolitana de Fortaleza. “Trabalho aqui há dez anos. Antes, não sabia nada de golfe, não via graça. Mas me apaixonei, comecei a jogar depois do expediente, cheguei até a competir. Um dia trouxe e ele pegou gosto”.


Começou no improviso. O pai pegou um pedacinho de cabo de vassoura, fez gambiarra e lá estava o menino com três anos dando as primeiras tacadas. “Achei o swing dele bom, me animei, sabe? Aí decidi encurtar meus próprios tacos para dar pra ele”, diz Eduardo, que parou de jogar devido a lesão na coluna.


Miqueias começou a competir aos cinco anos e no primeiro torneio conquistou o 1º lugar — que no golfe significa completar o circuito de buracos com o menor número de tacadas. Ganhou uma taqueira adaptada à sua idade de um dos empresários que acompanham o despertar do seu dom. “Na rua, na frente de casa, no quintal, onde ele tiver espaço, é treinando. A peleja é pra ele parar”, conta a mãe, Talita Silva Rodrigues, 28.


De lá para cá, foram 13 troféus em torneios no Ceará, e três terceiros lugares em etapas do Brasil Kids Golf Tour, em São Paulo. Para Max Lima, professor no Aquiraz Riviera, seriam mais se Miqueias pudesse fazer mais treinos no clube. Sem transporte que facilite a ida do menino ao campo — já que o pai vence os 6 km de bicicleta para ir trabalhar —, ele vai apenas uma vez por semana. “A gente só foi achar jogador no nível dele em São Paulo. É um esporte que necessita de muita concentração, e o Miqueias tem isso: é calmo e concentrado”.


As idas a São Paulo, conhecer novos campos e competir com adultos são as alegrias de Miqueias no esporte. Mas ele quer mais. Assistindo aos vídeos no Youtube e às aulas do Golf Channel, o garoto, que já conseguiu atingir a marca de 150 jardas com um tacada só, tem dois objetivos: “Quero fazer um backspin (quando a bola ganha efeito contrário ao sentido da tacada, girando para trás sobre o seu eixo horizontal). É difícil, mas tá perto”, comemora. O outro propósito? “Quero ser profissional nos Estados Unidos”.

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