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Logística reversa. O lixo como negócio rentável

Economia: As 140 mil toneladas de lixo geradas, por mês, em Fortaleza, podem virar dinheiro. Conheça empresas que transformam descartes em produtos de valor

00:00 | 24/12/2017

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Além de diminuir o impacto ambiental causado pelo descarte inadequado, empresas que operam no Ceará têm encontrado oportunidade de lucro na reciclagem. Em vez dos resíduos pararem no lixão, transformam-se em negócio rentável com a transformação de descartes em produtos. É a chamada logística reversa. 

[SAIBAMAIS]
Para se ter ideia do potencial deste mercado, 140 mil toneladas de lixo são coletadas, por mês, em Fortaleza, pela Ecofor e vão em direção ao aterro sanitário, em Caucaia. Para reciclagem, o superintendente operacional da companhia, João Júlio, diz que são encaminhadas 1.250 toneladas/mês a três associações conveniadas pela Prefeitura


Criada em outubro de 2016, a Reciplanet viu nesses números de descartes, na Capital, a oportunidade de receber pneus e transformá-los em chips. Com capacidade de triturar 3 mil toneladas/mês, possui hoje cerca de 300 toneladas acumuladas em galpão, aguardando a chegar a 800 para triturar. A empresa recebe pneus de algumas empresas de Fortaleza e espera aumentar a base de clientes. Tão vantajoso que é o mercado, Wytalon Araújo, proprietário da Reciplanet, não revela os números da operação para deixar o interesse da concorrência distante.
 

Na Gerardo Bastos, a logística reversa de pneus é utilizada há pelo menos 40 dos 50 anos de existência da empresa. O processo é realizado em parceria com a Reciclanip, com sede em São Paulo, criada em 2007 pelos fabricantes de pneus novos, como Bridgestone e Michelin. Neste ano, a média mensal recebida foi de 10 mil pneus.

Reaproveitamento
 

Pneus inservíveis ainda podem ser reutilizados como combustível alternativo para as indústrias, fabricação de solados de sapatos, borrachas de vedação, pisos para quadras, componentes para a fabricação de manta asfáltica e asfalto-borracha.
 

A Votorantim Cimentos tem aproveitado os produtos, há dois anos, como combustível dos fornos. A compra mensal é de 500 a mil toneladas, revela o gerente de produção da unidade de Sobral, Júlio César. A meta para o próximo ano é alta de 10% no uso do produto, além de reduzir a emissão de carbono em 25% até 2020.
 

No Ceará, a Votorantim compra o insumo de empresas do Piauí e Pará e realiza o coprocessamento de resíduos na fábrica de cimento localizada em Sobral. O valor investido nessa logística não pode ser informado pelo gerente, que sinaliza o cadastro de novos parceiros, com a possibilidade de fornecedores em Fortaleza.

Números

 

1,2
MIL TONELADAS
de lixo, por mês, são encaminhadas a associações conveniadas pela Prefeitura. 

CRISTINA FONTENELE

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