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A Semana. Só peço a Deus um pouco de malandragem

00:00 | 24/12/2017
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Nem em seus mais ambiciosos delírios, Anitta imaginou que monopolizaria as discussões no País como o fez nesta semana O recém-lançado clipe de Vai Malandra não só bateu recordes de visualizações (já beirava os 40 milhões na noite da última sexta-feira, com apenas cinco dias no YouTube) como levantou discussões estéticas, políticas e sociológicas, além de polarizar o Brasil num verdadeiro Fla-Flu do show business. Não recordo a última vez em que um produto da indústria cultural brasileira tenha causado tamanha comoção. A polêmica expressiva mais recente na área se deu em torno do filme Vazante, da diretora Daniela Thomas, cuja repercussão passou a léguas do que o retorno de Anitta a suas origens no funk causou. Geralmente, este poder de mobilização e inquietação intelectual se dá com obras de eminências, devidamente sacramentadas pela intelligentsia. E talvez, aí, esteja a contribuição de Anitta para a cultura brasileira contemporânea. Por causa dela muitos se aperceberam das implicações discursivas e conceituais de obras da indústria cultural aparentemente desprovidas de intenções outras que não o puro entretenimento. Quando paramos para debater se o corpo foi objetificado ou empoderado num clipe, se a favela está glamourizada ou não, se a exibição da celulite é redentora, na verdade estamos assumindo que este produto tem implicações e leituras muito maiores do que aparenta. Ou seja, estamos admitindo a relevância cultural do que sinaliza não tê-la. Haja malandragem para obter este feito!

 

ÉmersonMaranhão

Editor de Conteúdo do Núcleo de Audiovisual

 

ADRIANO NOGUEIRA

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