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A Semana. Com o Supremo, com tudo

00:00 | 24/12/2017
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Quando o senador Romero Jucá (MDB), o maior frasista da República desde a redemocratização, cunhou a máxima "com o Supremo, com tudo", talvez não esperasse que ela se tornaria lema da última semana de trabalhos do Judiciário neste ano. Não que tenha havido um acordo explícito com a classe política, mas é que a Corte, por meio de parte de seus ministros, adotou procedimentos que desmantelam o espírito da Operação Lava Jato. No início do ano, na primeira sessão do STF, Gilmar Mendes já avisara: o plenário teria um encontro com as longas prisões em Curitiba. Passados o fervor popular e o interesse da imprensa nas revelações da força-tarefa, a Lava Jato caminha para um final melancólico - mesmo seus desdobramentos nos estados rendem frutos incertos, como o que apura malfeitos em São Paulo sob governos tucanos. Com o fim das conduções coercitivas sem aviso prévio, as delações premiadas atingidas duramente depois das peripécias dos irmãos Batista, o Legislativo responsável por afastar parlamentares e a ameaça de revisão da prisão em segunda instância, os magistrados cuidaram em cumprir à risca a promessa de Gilmar. É, então, o fim da operação? Não. Mas, caso os juízes houvessem se mostrado tão escrupulosos lá atrás, o cenário político hoje talvez fosse outro. 

 

Henrique Araújo

Editor-adjunto do Núcleo de Conjuntura

 

ADRIANO NOGUEIRA

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