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A Semana. À margem de qualquer letreiro

00:00 | 24/12/2017
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Viver à margem de letreiros, livros, jornais e informações descritas nos próprios documentos. Uma vida sem compreender mensagens escritas, sem se conectar com um mundo de possibilidades trazidas pela leitura, parece uma realidade distante, mas ainda é o cotidiano de muitos de cearenses. Em pleno 2017, estima-se que 1,054 milhão de pessoas no Ceará, até então, passaram a vida sem ter a oportunidade de percorrer o caminho das letras. Não sabem ler ou escrever. Pesquisa demonstra que 15,2% dos cearenses com 15 anos ou mais não puderam ser protagonistas do famigerado “poder da educação”. Seja como forma de mudança para uma situação de vida melhor, seja para engrandecimento pessoal. O levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), divulgado nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta ainda o crescimento do índice conforme o avanço da faixa etária, atingindo quase 40% da população com 60 anos ou mais. Apesar de avanços do Ceará na luta contra o analfabetismo na educação básica — que atingiu 0,7% conforme dados do último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), relativos a 2015 — ainda há muito a ser feito. A população idosa precisa de visibilidade. Os esforços direcionados a essa demanda, como o programa Educação de Jovens e Adultos (EJA), ainda parecem insuficientes para mudar o quadro.

 

Ana Rute Ramires

Repórter do Núcleo de Cotidiano

 

ADRIANO NOGUEIRA

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