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Hospedagem. Fortaleza, uma anfitriã do Airbnb

Fortaleza é apontada pela empresa como a quinta capital do Brasil com mais reservas pelo aplicativo. O serviço já é ofertado em diferentes bairros da Cidade

00:00 | 26/11/2017

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Quem um dia imaginaria poder reservar uma acomodação em outro estado ou mesmo em um país distante, após breves toques na tela de um celular? Esta é a solução proposta pelo Airbnb, empresa de origem norte-americana que faz a intermediação online de hospedagens - em residências ou parte delas - entre locadores (anfitriões) e locatários (hóspedes) em todo o mundo.

 

Há cerca de dois anos, o serviço chegou a Fortaleza, apontada pela empresa como a quinta capital com mais reservas pelo Airbnb no Brasil em julho deste ano, mês que apresentou 126% de aumento na demanda ante igual período de 2016.


Embora a plataforma passe por atualizações constantes, O POVO verificou na última sexta-feira, 24, espaços aptos para serem locados na Cidade em bairros como Passaré, Montese, Parangaba, Vila Velha, Aldeota, Dionísio Torres, Benfica, Meireles, Centro, Praia de Iracema, Cocó, Bairro de Fátima, Jacarecanga, Maraponga e Edson Queiroz. Segundo o Airbnb, Fortaleza garantiu a chegada de 24,4 mil hóspedes somente entre julho de 2016 a agosto de 2017.


Renda extra

Em igual período, também abrigou 1.400 anfitriões ativos, sendo 51% homens e 49% mulheres, com idade média de 41 anos. Uma delas é Laís Gondim, 32. Graduada em design de moda, a jovem trabalha com produção e venda de doces. E, para complementar a renda, decidiu em setembro de 2015 alugar um dos quartos no apartamento onde vive, no Meireles. A suíte, antes ocupada por objetos sem uso, se transformou em espaço constantemente ocupado por hóspedes vindos de vários lugares do País, bem como estrangeiros oriundos de diversos países, como Alemanha, Estados Unidos, Suíça, França e até Coreia do Sul.

 

Entre as exigências para garantir a tranquilidade e organização no lar, decidiu não aceitar crianças, não permitir que os hóspedes recebam visitas e instituiu regras básicas de convivência na sala e cozinha compartilhadas, do tipo: “se sujou, limpe”.


Em tempos de baixa estação, calcula, as diárias custam, em média, R$ 60. E nos períodos de alta, o valor chega a dobrar. “Com o dinheiro do aluguel, pouco tempo depois consegui reformar um segundo quarto, que também passei a alugar”, rememora Laís, sem especificar valores.


Troca de experiências

Uma das hóspedes com quem Laís ainda mantém contato é a curitibana Viviane Viniarski, 23. A estudante de arquitetura alugou um dos quartos no início deste ano, durante aproximadamente dois meses. “Fui para Fortaleza a trabalho e o que me fez procurar morar com uma pessoa da Cidade foi a troca de experiências. Em geral, isso me ajudou muito no dia a dia. E ainda conheci muito da cultura cearense por ela (Laís)”, elogia.

 

O valor do aluguel, três a quatro vezes mais barato que uma hospedagem tradicional, calcula Viviane, também a atraiu. “Nesta localização (Meireles), o imóvel saiu barato. No aluguel comum, ainda teria que arcar com custos de energia, água e resolver toda a papelada”. Apesar de poupar no aluguel e nas refeições preparadas no apartamento, Viviane reitera que gastava dinheiro na Cidade com alimentação, compras em shoppings e passeios nas praias e barracas. “Meus pais também foram me visitar e ficaram uma semana em um hotel. E ainda foram para Jeri”, lembra.


Além de trocar experiências com os hóspedes - em sua maioria estudantes e pessoas que vêm a trabalho - e estreitar laços de amizade ao longo da curta temporada, Laís se declara satisfeita por conseguir manter uma certa estabilidade na renda extra. “A taxa de ocupação nos quartos é muito boa. Passo, no máximo, uma semana com os dois não alugados. E isso ajuda muito, porque faço benfeitorias no meu apartamento e ainda tenho uma margem para outros gastos supérfluos”, acrescenta a anfitriã.

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LIGIA COSTA

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