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Excursão pelo Pajeú. Busca por vestígios de um dos rios primordiais

Por aplicativo, a caminhada une localizações geográficas atuais à história do riacho à margem do qual se deu o quarto e último dos nascimentos de Fortaleza

00:00 | 26/11/2017

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Um estacionamento de carros, o fim de um corredor de lojas num pequeno centro comercial, os bueiros na esquina das ruas Conde D’eu e Visconde Sabóia, a Rua dos Pocinhos, próximo ao Calçadão da C. Rolim: todos esses lugares integram um percurso crítico de procura e encontro dos vestígios de um dos mais importantes riachos de Fortaleza, o Pajeú.


Fortaleza teve pelo menos quatro nascimentos — dois portugueses e dois holandeses. Todos anteriores em mais de meio século ao aniversário oficial. Os três primeiros se deram às margens do Rio Ceará. O último, à beira do rio pelo qual, na manhã de ontem, um grupo aceitou o convite para a Caminhada Guiada “Curto Circuito Pajeú”.


Compondo o projeto Excursão Pajeú, a caminhada é uma proposição da artista e arquiteta Cecília Andrade, faz parte do projeto “Era uma vez um rio”, patrocinada pela Lei Rouanet. O projeto combina exposição, onde são apresentadas intervenções e documentos, a caminhada com o uso de aplicativo desenvolvido exclusivamente para a experiência.


“Tenho relação bem longa com o Pajeú. Eu morava perto da Heráclito Graça, onde todo ano alaga. Primeiro, o entendi como esse grande alagamento. Depois soube que ali era um riacho”, explica Cecília.
O aplicativo traz 20 pontos de encontro do riacho. Sem ordem pré-estabelecida, a artista diz que a ideia é descobrir os locais. O POVO percorreu parte do trajeto. Com celular em mãos, o aplicativo direciona a caminhada. À medida que chega a cada ponto, surge áudio que aciona algum documento da história daquele local.


O interesse por games e pela Cidade levou grupo de estudantes a experimentar o percurso. Para Jéssica Aquino, 24, a caminhada foi oportunidade de descobrir os vestígios de um rio soterrado pelo concreto, mas ainda vivo. “A gente já tem vários outros rios que estão morrendo. Esse é um que a gente acha que está morto, mas ele está aí, vivo”.  

 

Aplicativo


“Excursão Pajeú” é gratuito, no Google Play 

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